Como funciona a doação de medula óssea

Drica Moraes passa bem após o transplante de medul

Drica Moraes como Judicea, uma das famosas Irmãs Cajazeiras, no filme O Bem Amado. Foto/Ana Stewart

No início deste ano, a atriz Drica Moraes, recebeu a confirmação do diagnóstico de leucemia. Após passar pelo tratamento no Rio de Janeiro, sem obter sucesso, ela teve que recorrer ao transplante de medula óssea para vencer a sua luta contra a leucemia mielóide aguda (LMA), resultado de uma alteração genética adquirida (não herdada) no DNA de células em desenvolvimento na medula óssea.

O procedimento foi feito na semana passada, no Hospital Albert Einstein. Até o momento, segundo o boletim médico do próprio hospital, Drica passa bem, sem sinais de infecções.

Ao contrário do que se imagina, a atriz não conseguiu a medula de alguém que era da sua família, mas sim de um doador que está no REDOME (Resgistro Nacional de Doadores de Medula Óssea). Conseguir esse feito não é tarefa fácil. Para se ter uma ideia, embora existam cerca de 1,5 milhão de cadastrados como doadores voluntários, mais de 2.500 pacientes não encontram um doador na família e estão na espera por um doador 100% compatível.

Segundo o INCA, Instituto Nacional de Câncer, o procedimento para se tornar doador voluntário de medula é simples e seguro. Ele é feito apenas com a retirada de uma pequena quantidade de sangue (5ml) que será tipificado através do exame de histocompatibilidade (HLA), um teste de laboratório para identificar as características genéticas que podem influenciar no transplante. Depois disso, o tipo de HLA do doador será incluído no cadastro.

Se a compatibilidade for diagnosticada com alguém que necessita da medula, o doador é consultado. A doação de fato só é feita após outros exames de sangue a fim de comprovar o estado de saúde do voluntário.

Ainda conforme o Instituto, a doação é feita em um centro cirúrgico, sob anestesia peridural ou geral, e requer internação por um mínimo de 24 horas. Até agora apenas foi detectado após o procedimento um mal estar por parte dos doadores, amenizado com o uso de analgésicos. Logo após a primeira semana, os doadores podem voltar as suas atividades cotidianas.

A ABRALE (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia) explica que o transplante é um tipo de tratamento realizado para doenças benignas ou malignas que afetam as células do sangue. Ele consiste na substituição de uma medula óssea doente, ou deficitária, por células normais de medula óssea, com o objetivo de reconstituição de uma nova medula.

O transplante pode ser autólogo, quando as células precursoras de medula óssea provêm do próprio indivíduo transplantado (receptor). Ele é dito alogênico, quando a medula ou as células provêm de um outro indivíduo (doador). O transplante também pode ser feito a partir de células precursoras de medula óssea obtidas do sangue circulante de um doador ou do sangue de cordão umbilical.


Para ser um doador voluntário é necessário:

- Ter entre 18 e 54 anos e estar em bom estado de saúde;

- Comparecer a um hemocentro de sua região e cadastrar-se no Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea) - através desse endereço http://www1.inca.gov.br/conteudo_view.asp?ID=2604, você encontra os centros cadastrados em todo país;

- Apresentar RG e CPF originais, e fornecer os dados de identificação e localização;

- Coletar uma simples amostra de sangue para a realização do exame de compatibilidade, conhecido como Tipagem HLA;

- Se houver algum paciente compatível, você será convocado para fazer novos exames.

Por Juliana Lopes

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