Capacite a sua memória!

capacite a sua memória

Existem exercícios eficazes para a memória? O Vila Mulher conversou com o escritor e neurocientista Edson Amâncio e ele tirou algumas dúvidas. Segundo ele, todo e qualquer estímulo mental pode contribuir para melhorar e preservar a memória, seja de curta ou de longa duração.

Estímulos chegam ao cérebro através de todas as vias sensitivas, quer seja: visão, audição, olfato e sensações somatossensoriais (outras partes do corpo).

A leitura é considerada, segundo o neurocientista, um dos grandes estimuladores das redes neurais, particularmente aquelas relacionadas à memória. A música também é um excelente estímulo à memória. Realizar tarefas que impliquem raciocínio e memorização também são considerados excelentes métodos para manutenção de uma boa memória.

Aprender uma língua, em qualquer idade, estimula a neuroplasticidade, cria novas conexões entre neurônios. Estímulos mais simples como resolver palavras cruzadas também têm um papel.

"Na minha opinião o grande estímulo à memória é a leitura. Exemplifico: tenho um paciente de 96 anos de idade, com memória incomparável. Perguntei a ele a que atribuia sua fantástica memória. Ele me respondeu que desde que se aposentou, há mais ou menos 50 anos, lê, em média, um livro por dia! Quando lhe perguntei se fazia exercício físico, ele respondeu que sim! Sua biblioteca ficava no andar de cima", conta o neurocientista.

Amâncio explica que é natural que pessoas com idade avançada tenham a memória ocasionalmente comprometida a fatos recentes, quando comparadas si própria quando tinham 30, 50 anos. Deve-se suspeitar que algo errado está acontecendo quando uma pessoa até então lúcida e com boa memória começa a cometer lapsos cada vez mais frequentes depois dos 60 anos de idade.

As doenças que envolvem e comprometem a memória, as chamadas demências, em geral têm início depois dessa idade (raramente antes). Os fatos mais chamativos ocorrem quando eles se tornam repetitivos, quando por exemplo esquecem recados simples, uma porta aberta, ou o bico do bujão de gás aceso e assim por diante. Em geral as demências se manifestam por prejuízo na memória para fatos recentes. O paciente conta uma história e esquece que a contou e repete, assim como pergunta várias vezes a mesma coisa. "Nessa hora o mais razoável é levá-la a um neurologista ou a um geriatra que tem recursos para fazer o diagnóstico", aconselha o médico.


Quanto as pessoas distraídas, indepentemente da idade, Edson Amâncio explica que distração não é doença. "Há pessoas muito ligadas, "antenadas" e há os distraídos. São características pessoais. Mas há transtorno de déficit de atenção em adultos. Trata-se de um transtorno não corrigido na infância e adolescência que continua a se manifestar na vida adulta. Há tratamento. Mas só um especialista está capacitado para diagnosticar e ajudar um paciente com esse tipo de transtorno", conclui.

Por Jessica Moraes

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