Cansaço constante? Pode ser a Síndrome da Fadiga Crônica!

Cansaço em excesso pode virar doença

Quem não consegue recarregar as energias com uma boa noite de sono ou tirando alguns dias de férias é preciso ficar atento. Se este cansaço persistir por meses, o melhor é procurar um médico. Sinais de exaustão constante podem ser indícios da Síndrome da Fadiga Crônica.

Segundo Dr. Roberto Heymann, reumatologista e docente da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), um dos critérios para se chegar a este diagnóstico é o da pessoa se sentir fadigada por pelo menos seis meses. "Este cansaço físico e mental não costuma ter causa. A pessoa já acorda cansada e não consegue cumprir nem mesmo as atividades básicas do dia", explica.

Outros sintomas associados ao cansaço são dor de garganta, gânglios aumentados e doloridos, dor de cabeça, alterações gastrointestinais (prisão de ventre e diarreia) e depressão. O médico lembra ainda que as mulheres estão mais suscetíveis a apresentarem a síndrome.

"Geralmente as Síndromes de Sensibilização Central (ou seja, que ampliam os impulsos sensoriais do Sistema Nervoso Central) acometem mais as mulheres, por questões hormonais. Elas sentem mais dores do que as outras pessoas", afirma Dr. Roberto.

As faixas etárias que mais apresentam a SFC são as de 20, 50 e 60 anos e o médico acredita que sejam profissionais perfeccionistas em demasia os mais propensos a apresentarem a doença. "Sem contar que 30% dos pacientes com fibromialgia (dor crônica que acomete vários pontos do corpo, especialmente nos tendões e nas articulações, e que causa fadiga e distúrbios do sono) podem apresentar a Síndrome da Fadiga Crônica ou o contrário", diz.

Para diagnosticar a Síndrome da Fadiga Crônica é feito um diagnóstico clínico. Porém, o reumatologista ressalta que pode diagnosticá-la apenas se a pessoa apresentar alguma doença que cause fadiga. É preciso primeiro pedir exames para afastar estes e outros problemas que podem se assemelhar aos sintomas de fadiga crônica.

"Hipotireoidismo, depressão e mononucleose, por exemplo, dão fadiga. Então é preciso curar esses problemas primeiro antes de apontar a SFC", alerta Dr. Roberto. "É sempre importante lembrar que a Síndrome da Fadiga Crônica é decorrente de um cansaço sem explicação e que nem sempre vem associado a gânglios inchados e dores de garganta. O bom diagnóstico vai depender também da experiência do medico que lida como paciente", acrescenta.

O especialista comenta ainda que a Síndrome da Fadiga Crônica não causa alterações anatômicas em nenhum órgão. Por isso, não adianta o médico pedir ressonâncias magnéticas ou exames de sangue que não encontrará nada de errado. A síndrome é, na verdade, um erro de função do Sistema Nervoso Central, um indício de que algo não está funcionando adequadamente.

"Um exemplo é a Síndrome do Cólon Irritado. É quando os tecidos do intestino estão irritados. O problema está na funcionalidade do órgão e não na sua anatomia em si", comenta o reumatologista.

O tratamento geralmente consiste em indicar ao paciente a prática de atividades físicas e sessões de psicoterapia. Há também medicamentos neuromoduladores, que atuam nos neurotransmissores, mudando o funcionamento do Sistema Nervoso Central. "Por enquanto, mudanças alimentares não fazem parte do tratamento. Não existem estudos que comprovem que determinamos alimentos podem minimizar ou evitar a Síndrome da Fadiga Crônica", lembra o especialista.


Não há um prazo determinado para a melhora do paciente. Às vezes, nem há recuperação. "Percebemos que pacientes mais resilientes, que possuem atitudes mais positivas. apresentam maiores chances de melhora", diz Dr. Roberto. Também não há indícios de que SFC seja hereditária, mas se alguém da família já foi diagnosticado com a doença, a chance de outra pessoa próxima apresentá-la é maior.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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