Câncer X celular - o que de fato dizem os estudos?

O crescente aumento no número de usuários de telefones celulares nos últimos anos tem preocupado a comunidade científica mundial com os possíveis efeitos deletérios à saúde causados pelos campos eletromagnéticos de radiofrequência emitidos por estes aparelhos.

"A utilização destes aparelhos junto ao ouvido durante uma chamada telefônica resulta em absorção pelo cérebro da energia eletromagnética emitida pelo aparelho. A intensidade desta absorção está também relacionada ao modelo e à antena do aparelho celular, além da qualidade do sinal entre o aparelho celular e a Estação Rádio-Base", explica Leandro Ramos, oncologista da Oncomed de Belo Horizonte.

"As crianças que utilizam aparelhos de telefones celulares estão mais expostas à absorção cerebral da energia eletromagnética devido a menor espessura do osso craniano quando comparado ao adulto", acrescenta.

O oncologista ainda afirma que os estudos de avaliação biológica entre essa irradiação e câncer não apresentaram resultados conclusivos. As principais fontes de avaliação entre efeitos do telefone celular e potenciais riscos a saúde não indicaram, de forma clara, a relação de causa e efeito entre telefone celular e câncer.

Em março de 2010 foi publicado o maior estudo epidemiológico que analisou esta associação. Foram avaliados mais de 10 mil pacientes por mais de 10 anos, em 13 países. A conclusão dos autores deste estudo apontou para o baixo risco de câncer cerebral nos usuários pouco freqüentes de telefones celulares.

Entretanto, existe uma tendência de aumento do risco de glioma nos usuários que utilizaram o telefone celular por mais de 1640 horas durante este estudo. Os autores alertam para as possíveis falhas na análise destes dados.

Em virtude da importância deste assunto, em maio de 2011, uma comissão de 30 cientistas que foi conduzida por Jonathan Samet, coordenador da Cadeira de Medicina Preventiva da Universidade do Sul da Califórnia, concluiu que o campo eletromagnético emitido por estes aparelhos, são possivelmente carcinogênicos aos seres humanos.

"A conclusão é de que pode haver algum risco e, portanto, precisamos ficar atentos para um elo entre celulares e câncer", afirmou Samet em nota oficial.


Até que se tenham maiores esclarecimentos sobre o real risco entre câncer cerebral e telefone celular, o oncologista recomenda ser importante que sigamos o "Princípio da Precaução", ou seja, reduzir o contato das crianças com os telefones celulares e nos adultos, além de reduzir a frequência da utilização destes aparelhos e utilizar sempre que possível os fones de ouvidos para as chamadas telefônicas, mantendo o aparelho celular afastado do corpo.

Por Jessica Moraes

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