Bactéria no estômago: H. Pylori - diagnóstico após dores

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Não tem nem o que discutir! Lavar as mãos antes de comer, depois de utilizar o banheiro e ao chegar em casa são coisas simples e essenciais no dia a dia de qualquer pessoa que preza por uma boa higiene e, claro, boa saúde. Dentre as mais diversas doenças que podem ser transmitidas graças a essa falta de cuidados está a bactéria H. Pylori, que, em casos extremos, pode causar até mesmo câncer.

Segundo o Dr. Shlioma Zaterka, presidente honorário do Núcleo Brasileiro para o estudo do H. Pylori, a bactéria foi descoberta em 1979. Ela provoca alterações no tipo celular do estômago, formando partículas que, eventualmente, podem dar origem a um linfoma. Além disso, ela também está muito relacionada à úlcera, seja no duodeno ou no estômago.

"Em geral, a bactéria não tem sintoma nenhum, só provoca diferentes sensações ao ter alguma complicação. Não é todo portador da bactéria que vai desenvolver úlcera ou um câncer", explica Dr. Zaterka. Existem outros fatores que também podem causar as doenças, porém, o risco em relação à bactéria permanece alto.

O profissional conta que, no Brasil, o índice de pessoas infectadas pelo H. Pylori chega a 60%, sendo bem alto em relação a outros países mais desenvolvidos. Destes indivíduos portadores da bactéria, 20% contraem úlceras e câncer. E mais: em 80% dos diagnósticos de tumor a causa principal foi o H. Pylori.

Quanto à forma de transmissão, o médico afirma que acontece em sua maioria em crianças, porque elas são as que mais entram em contato com áreas contaminadas e geralmente colocam as mãos na boca antes da higienização. "Outra maneira de se contrair a bactéria, também no caso das crianças, é dentro das creches e escolinhas, onde muitas delas permanecem muito juntas e, quando alguma vomita, por exemplo, o H. Pyroli pode ser transmitido. Os adultos correm menos risco de serem infectados, a não ser que tenham contado com dejetos humanos".

Além disso, Dr. Zaterka diz que é ainda mais difícil encontrar as bactérias nos alimentos, levando em conta a boa higienização dos mesmos e o fato de que os legumes, frutas e vegetais não foram cultivados com adubos humanos. O leite pasteurizado é o único que apresenta algum risco, porém, não há estudos conclusivos, apenas observações ocorridas na Europa.

A importância de lavar as mãos antes de comer e depois de ir ao banheiro está diretamente relacionada aos principais meios de transmissão da bactéria. Fatores como a educação, que ajudam a conscientizar sobre questões relacionadas à higiene também são de extrema importância para a profilaxia do H. Pyroli.

"Se a população tiver um ambiente com água tratada e um esgoto adequado, corre-se um risco mínimo. Nos países desenvolvidos, a bactéria existe em maior quantidade entre os adultos, porque tiveram uma condição de saneamento básico inferior à atual", esclarece o especialista. "Em Teresina, no Piauí, foram feitas observações sobre a disseminação do H.Pylori dentro de um condomínio fechado de ótima infra-estrutura, e em uma favela, ambos de populações vizinhas. Verificou-se que 50% das crianças de até dois anos moradoras da favela contraíram a bactéria, enquanto no condomínio o índice foi de apenas 7%", revelou.


Não existe tratamento de prevenção da bactéria a não ser os cuidados básicos. Porém, no caso da infecção instalada, o tratamento recomendado é o uso de um medicamento que iniba os ácidos estomacais e mais dois outros antibióticos, como a amoxilina, por exemplo.

O presidente honorário do Núcleo Brasileiro para o estudo do H. Pylori ressalta que quando a pessoa faz o tratamento, o índice de cura gira em torno de 85% e 90%.

Por Carolina Pain (MBPress)

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