Aproveite o Carnaval com saúde

Cuidados Carnaval

Faltam poucos dias para a folia. Isso porque Carnaval rima com cair no samba, pegar folga no trabalho, ir pra praia ou aproveitar na cidade mesmo aquela festa boa. Mas nada de esquecer que a saúde vem em primeiro lugar. E isso significa cuidado redobrado.

Antes de qualquer coisa, é preciso se hidratar. E se manter hidratado, claro. “É preciso ingerir diariamente cerca de três litros de água”, alerta da nutricionista Daniela Guimarães, da rede de academia para mulheres Countours, em Brasília. Segundo ela, vale também água de coco, mas refrigerantes e bebidas alcoólicas não podem ser contabilizados, porque apresentam baixo poder de hidratação. E se preferir o álcool, não misture. Quando isso ocorre o efeito é potencializado. “Qualquer combinação é desaconselhável”, complementa.

Para manter o pique é necessário também se alimentar corretamente. Lembra que as frituras, ricas em gordura, roubam a disposição. Para manter os níveis de vitaminas e minerais, a sugestão é adicionar ao cardápio verduras e frutas. E, para garantir a energia, abuse sem medo dos carboidratos que fazem a diferença, como pão, macarrão e batata.

“É importante tomar cuidado com preparações exóticas ou regionais, especialmente aquelas servidas por ambulantes e em quiosques, pois esses alimentos podem provocar intoxicações alimentares”, explica Daniela. Para não sofrer com aquele vazio no estômago, tenha sempre barras de cereais na bolsa. São excelentes fontes de fibra e energia.

Mas a saúde do corpo não fica só nas pistas de dança e nas ruas. O feriado mais sensual do mundo é sinônimo de sexo fácil e, por consequência, doenças sexualmente transmissíveis. Além do risco óbvio da AIDS, a chance de se contrair hepatite B, herpes e HPV só aumenta. A transmissão é reforçada pelo fato de alguns foliões se envolverem com várias pessoas, muitas vezes, inclusive numa mesma noite. A euforia não deve colocar a saúde (e a camisinha) em segundo plano.

A infectologista e diretora da Clínica de Doenças Infecciosas e Parasitárias também em Brasília, Eliana Bicudo, lembra que além do uso obrigatório do preservativo, as vacinas para hepatite B e HPV também protegem, especialmente nos casos em que romances de carnaval se estendem e a camisinha é deixada de lado.

Cuidados CAranval

“A vacina para hepatite B pode ser administrada em qualquer etapa da vida, desde o nascimento. Já a anti-HPV é indicada para mulheres de 9 a 26 anos”, explica. A hepatite B é altamente contagiosa e pode levar à cirrose hepática e ao câncer de fígado e o HPV está relacionado a 99% dos casos de câncer de colo de útero.

Se mesmo assim você continua animadíssima para a folia, significa que vai tomar todos os cuidados, certo? Mas não pense que apenas beber água, comer direito e usar camisinha vai livrar seu Carnaval de ser sinônimo de dor de cabeça. Seu ouvido também precisa de cuidado.

O ritmo do samba e toda a animação esconde o aumento no número de casos de pessoas que apresentam problemas nos ouvidos, causados, principalmente, por ruídos de caixas de som superpotentes de clubes e trios elétricos e o grande tempo permanecido em ensaios de escolas de samba.

A aparelhagem utilizada, cada vez mais moderna e com várias opções de potências, atinge intensidades sonoras de até 120 decibéis. Mas, segundo dados da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, o ouvido humano suporta até 85 decibéis.

Exposições acima deste índice já podem acarretar em lesões ao ouvido muitas vezes irreversíveis, levando à perda auditiva. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a poluição sonora a terceira maior do meio ambiente, perdendo apenas para a poluição da água e do ar.

Sabendo de tudo isso, a Sociedade Brasileira de Otologia (SBO) lança este ano a 5ª edição da Campanha Nacional da Saúde Auditiva, que tem o objetivo de educar e mostrar às pessoas como cuidar bem da audição e os cuidados necessários no dia-a-dia para preservar a saúde auditiva.

O otorrinolaringologista e coordenador nacional da campanha, Ektor Onishi conta que no carnaval baiano, medições realizadas chegam a apontar impressionantes 110 decibéis, intensidade próxima a de uma turbina de avião. Os sintomas de problemas de audição são diversos. “Sensação de pressão nos ouvidos, zumbido e dificuldade para ouvir podem sugerir abuso do folião. O tempo de exposição ao som e a sensibilidade individual são fatores que influenciam diretamente neste resultado”, diz.

Por tudo isso, Onishi finaliza. “A audição é um dos sentidos que proporciona a interação do indivíduo com o meio ambiente e com seus semelhantes. Saber da sua importância e como cuidar da audição nessa época do ano se torna ainda mais necessário”, completa. Escutou bem? Proteja os ouvidos, tenta ficar longe da caixas de som e cuida da saúde do corpo. Carnaval deve ser sinônimo de boas lembranças.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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