Anticoncepcional não oral aumenta risco de trombose?

Anticoncepcional não oral aumenta risco de trombos

Foto: FreeDigitalPhotos http://bit.ly/JHVdLe

Pesquisa publicada este mês no "British Medical Journal" afirma que os anticoncepcionais não orais, como adesivos e anéis vaginais, trazem maior risco de trombose venosa do que as pílulas. Foram analisados dados envolvendo 1,5 milhão de mulheres com idades entre 15 e 49 anos, com acompanhamento entre 2001 e 2010.

Segundo o estudo, o risco do adesivo hormonal é 2,5 vezes maior que o das pílulas de segunda geração ("antigas"), à base de levorgestrel. Já o anel vaginal apresenta duas vezes mais chances de gerar o problema. Comparadas com mulheres da mesma idade que não usam métodos hormonais, aquelas que usavam o adesivo têm um risco oito vezes maior, enquanto que quem usava o anel vaginal apresenta um risco 6,5 vezes mais alto.

O risco dos métodos contraceptivos não orais, porém, ainda é mais baixo do que o das pílulas mais modernas contendo drospirenona, como Yaz e Yasmin. Em 2011, a FDA (agência dos EUA que regula drogas) discutiu a segurança das novas pílulas e incluiu um risco maior em suas bulas. Estudos anteriores registraram 30,8 casos de trombose por 100 mil mulheres que tomaram as pílulas mais modernas e 12,5 casos por 100 mil das usaram as antigas.

Segundo a pesquisa, o implante subcutâneo apresentou risco um pouco maior que o de mulheres que não usam anticoncepcionais hormonais. Já o DIU hormonal até diminuiu o risco, segundo os autores do estudo. Isso se explica porque o implante usa apenas progesterona. Pílulas com apenas esse hormônio não aumentam o risco de trombose.

Porém, segundo o professor de ginecologia da Unicamp, Carlos Alberto Petta, o risco absoluto de métodos hormonais ainda é muito baixo. "Não é necessário alarme. Ainda são eventos raros que, em geral, acontecem em quem tem fatores de risco. Ninguém precisa correr para trocar de método", salienta.

Já o cirurgião vascular do Hospital do Coração, Gilberto Narchi Rabahie, faz uma ressalva. "O estudo não especifica os tipos de trombose, se são superficiais ou profundas."


Mas Petta diz que o estudo é importante por mostrar que outras vias de administração não têm risco menor do que a pílula, como se pensava. Ele lembra ainda que mulheres hipertensas, obesas, com diabetes, varizes grossas, antecedentes familiares de trombose e fumantes acima de 35 anos têm risco aumentado. Por isso, um médico deve indicar os melhores métodos para cada paciente.

Por Carmem Sanches

Comente