Angelina Jolie: cirurgia para prevenção de câncer de ovário divide opiniões

Angelina Jolie Câncer de ovario

Foto - Divulgação.

Grande vilão da saúde feminina, o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres Pensando nisso, Angelina Jolie resolveu se prevenir em julho de 2013, realizando dupla mastectomia - retirada dos seios. Depois da operação, a atriz disse que teria apenas 5% de risco de desenvolver a doença. Recentemente, a esposa de Brad Pitt causou surpresa ao anunciar uma nova cirurgia, desta vez contra o câncer de ovário, com a retirada do órgão.

Segundo Dr. Décio Roveda Júnior, coordenador do setor de Imagenologia Mamaria do Femme Laboratório da Mulher, as chances de uma mulher desenvolver câncer é muito maior quando se tem casos na família. Para quem não sabe, a mãe de Angelina, Marcheline Bertrand, faleceu aos 56 anos de um câncer de ovário e sua tia, Debbie Martin, morreu em junho de 2013 de um câncer de mama.

No entanto, o doutor explica: "Não é porque a mãe teve câncer que existe uma marcação genética nas outras gerações. Se a mãe, tia, ou parentes próximos tiveram câncer de mama com 60 ou 70 anos, o risco que a mulher tem é muito pequeno, é igual ao do resto da população. Agora, se a mãe teve câncer aos 35 ou 40 e poucos anos, a filha pode estar marcada geneticamente e tem alto risco de ter esse câncer. Mas esse segundo grupo é muito raro, representa menos de 10% da população".

Para o especialista, a retirada por completo dos ovários como Angelina deseja fazer - "cirurgia de baixíssimo risco" - cessa a possibilidade de câncer na região, câncer esse que não tem cura. "No caso das mamas, o procedimento retira aproximadamente 90% do tecido mamário. Esses 10% restantes ainda geram risco de câncer", analisa Décio.

Em contrapartida, para o Dr. Luiz Antônio Brondi, professor de ginecologia e responsável pelo setor de mastologia da PUC e membro do Departamento de Cancerologia da APM - Associação Paulista de Medicina, essas medidas não são recomendadas.

Quanto à retirada dos ovários, Brondi aponta: "Interessante que essa cirurgia é um tratamento para o câncer de mama. É um tratamento hormonal, chamado de ablativo. É muito antigo, do século passado. Se dá porque os ovários produzem estrógeno, hormônio feminino, que pode alimentar o crescimento do câncer. Quando você bloqueia o hormônio tem a regressão do câncer. Mas hoje temos drogas e comprimidos que realizam essa ação. Essa retirada de ovários pode ser até feita, mas não é rotina, não é o normal".

Como Dr. Décio lembra, retirar os ovários resulta em menos estrógeno, promovendo uma menopausa cirúrgica: "Para as mulheres que optarem por este procedimento, existe a opção de suplementação hormonal". Ainda assim vale lembrar que a falta de hormônios naturais pode gerar uma série de complicações, como osteoporose, maior risco de doenças cardiovasculares e alteração na pele, por exemplo. Sem falar que a reposição hormonal é feita com ressalvas e deve obedecer a uma série de recomendações. Não é um processo simples.

Apesar de algumas divergências, os médicos concordam que não há como prevenir o câncer de mama em 100%. "Não é como câncer de pulmão, em que você só diz ao paciente para não fumar. Não existe essa referência, pelo menos por enquanto, em relação ao câncer de mama", explica Décio.

A indicação é manter em dia os exames tradicionais. Brondi ressalta: "Se a mulher tem esse antecedente familiar de câncer, o indicado é que ela comece o acompanhamento de mamografia aos 30 anos ao invés dos 40, como recomendado. Assim como nunca perder o hábito de se autoexaminar".

A pesquisa genética também é uma saída, como diz o professor: "Isso pode dar pra gente alguns fatores de risco maiores que podem indicar se a mulher pode apresentar um câncer futuramente ou não. Mas são testes genéticos muito caros e feitos em determinadas situações apenas".

Segundo o INCA, o índice de câncer em países mais desenvolvidos é maior. Portanto, como Décio esclareceu, esse aumento está ligado à rotina da vida moderna. "Temos preconizado hábitos saudáveis às mulheres, como controlar peso, não fumar, fazer exercícios regulares, ter uma alimentação balanceada, controle do estresse. São medidas gerais que reduzem o risco de câncer de mama."

Por fim, deixamos a conclusão da própria atriz. Quando levantou a discussão da mastectomia, Angelina declarou: "Para qualquer mulher que esteja lendo isso, espero que saiba que tem opções. Quero estimular cada mulher, especialmente se você tem um histórico familiar de câncer de mama ou de ovário, a procurar informações e especialistas médicos que podem lhe ajudar nesse aspecto de sua vida e a fazer sua própria escolha informada".


Por Alessandra Vespa (MBPress)

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