Anel vaginal - método contraceptivo que evita os "escapes"

Anel vaginal  método contraceptivo que evita os es

Foto: Divulgação

Ter um sangramento antes da hora tira o sossego de qualquer mulher. E quem faz uso de anticoncepcional oral sabe que um esquecimento ou atraso na hora de tomar a medicação pode facilitar esses escapes. Casos como diarreia, vômitos ou uso de antibióticos e anticonvulsivantes também podem interferir na eficácia da pílula.

Segundo Cristina Aparecida Falbo Guazzelli, ginecologista e professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), anticoncepcionais combinados orais, aqueles com dois tipos de hormônios (estrogênio e progestagênio) e pílulas combinadas de baixa dose hormonal aumentam a incidência dos escapes.

"Isso acontece porque estes medicamentos promovem variações nos níveis de hormônios que podem desestabilizar o endométrio (revestimento da parede interna do útero) e provocar sangramentos antes do fim da cartela", explica a médica. "Os escapes são mais frequentes nos primeiros três meses de uso desses anticoncepcionais, tendendo a desaparecer logo após. Desta forma, a orientação antes da prescrição da pílula tem grande importância", explica a ginecologista.

Mas existe um método contraceptivo que reduz o risco de escapes: o anel vaginal, feito de plástico transparente e bem flexível. Ele é colocado diretamente na vagina e, por liberar hormônios (estrogênio e progestagênio) continuamente, não depende da usuária (no caso da pílula ela precisa se lembrar de tomar todos os dias e no horário certo). Além de a concentração hormonal ser constante, o anel tem a tendência de regular a menstruação.

A própria mulher coloca e retira o anel. O primeiro deve ser inserido na vagina no primeiro dia de menstruação e retirado depois de três semanas (21 dias). Fica-se uma semana sem o anel, que é quando a menstruação desce, e depois coloca-se um novo anel. "Por não precisar de manipulação diária, como a pílula, o anel tem menor chance de esquecimento, pois só precisa ser lembrado para trocar uma vez por mês", diz Dra. Carolina.

O anel vaginal também possui baixa dose hormonal (o que diminui efeitos colaterais como náuseas, dores de cabeça, dores nas mamas e tonturas) e alta eficácia mesmo em caso de vômito ou diarreia, já que não depende da absorção no estômago ou intestino como as pílulas. No caso do anel, o hormônio entra no sistema venoso e é absorvido como o natural, que é produzido pelo ovário.

A médica lembra que a ingestão de estrogênio (hormônio contido no anel vaginal, pílulas combinadas e no injetável mensal) é contraindicada para mulheres com doenças como hipertensão arterial, trombose, derrame, enxaqueca com aura, hepatite ou para mulheres que estejam amamentando. E para as mulheres com histórico de câncer de mama não é recomendável nenhum método contraceptivo que contenha hormônio.

Na hora da relação sexual o anel vaginal não causa interferência e raramente é sentido pelo parceiro. "Estudos mostram que mais de 80% das mulheres que usam não notaram qualquer diferença durante o ato sexual", revela Carolina. Caso o anel saia durante a relação, basta a mulher lavá-lo com água fria ou morna (nunca quente) e colocá-lo novamente em até três horas, período em que o anel ainda protege contra gravidez.

Vale sempre lembrar que os anticoncepcionais não protegem contra doenças sexualmente transmissíveis, por isso não dispense o uso do preservativo. E antes de aderir a qualquer método contraceptivo procure orientação médica.


Juliana Falcão (MBPress)

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