A moda do jejum

A moda do jejum

Foto: João Miguel Júnior. Divulgação TV Globo

O jejum tem se tornado uma prática bastante popular acalmar a alma, independente de religião. Muitos famosos, como a apresentadora Glória Maria e o ator Licurgo Spinola, têm adotado tal habito de "purificação", deixando os médicos e nutricionistas bastante preocupados com a situação.

A Dra. Andréa Pereira, médica nutróloga do setor de obesidade da Unifesp e dos hospitais Bandeirantes, HCor e do Instituto do Metabolismo e Nutrição, afirma que o nosso organismo está em constante funcionamento e, para que consiga manter todas as funções, é preciso manter o "combustível". Portanto, se o jejum se torna uma prática constante, sem nenhum motivo justificável, ele certamente não fará bem para o corpo.

"No jejum, o nosso metabolismo diminui para que a energia vá para os órgãos principais. O nosso cérebro, que necessita de glicose para o seu funcionamento, reclama, deixando-nos mal humorados e, às vezes, até com dor de cabeça. Tenho um paciente, por exemplo, que apresentava fortes dores todos os sábados. Ele já havia passado por vários médicos e nada foi descoberto. Como trabalho com nutrição, resolvi investigar sua alimentação neste dia da semana. Descobri que ele passava toda a manhã jogando futebol sem comer nada antes do jogo. Bastou colocarmos um café da manhã e um lanchinho que a dor de cabeça não voltou mais", conta a nutróloga.

Andréa ressalta que não há nenhuma vantagem em fazer jejum, até mesmo quando ele é requisitado por médicos para fazer exames e procedimentos cirúrgicos. Algumas pesquisas têm mostrado que praticá-lo por mais de quatro horas antes da cirurgia nem sempre são benéficos ao paciente e, por isso, existem hospitais que implantaram as quatro horas como o tempo máximo permitido para tal.

Então, por que pessoas que praticam o jejum dizem que se sentem bem durante o processo? Para a profissional, isso somente ocorre porque, como elas ficam sem comer por períodos prolongados e constantes, já devem ter se acostumado com as sensações, mas isso não significa que sejam boas. "O jejum pode ocasionar hipoglicemia, que se caracteriza por sudorese fria, escurecimento visual, mal estar, dores abdominais e até mesmo vômitos. Muitas vezes a hipoglicemia é confundida com queda de pressão, como quando ela vai para a academia em jejum e passa mal", acrescenta.

De acordo com a Dra. Andréa, existem relatos de pessoas que chegaram a ficar até 60 dias em jejum sem correr risco de morte, porém caso a perda de massa muscular seja muito acentuada, esse período não pode ser alcançado. Nos casos de pacientes obesos, que tendem a perder mais músculo que gordura, os idosos ou os diabéticos, o tempo que é possível permanecer sem comer é ainda menor.

"Para quem precisa fazer o jejum por algum motivo, os cuidados tomados para antes e depois deste período sem comer devem ser os mesmos de uma alimentação saudável comum. Deve-se tentar comer alimentos que contenham todos os nutrientes. Não adianta nada comer uma enorme quantidade de comida e depois ficar um dia inteiro sem comer para compensar essa prática", revela a nutróloga sobre quem tem a mania de comer tudo o que vê pela frente e, em seguida, passa um longo tempo sem se alimentar.


Por isso, caso o seu jejum não tenha nenhum cunho religioso, procure manter uma boa alimentação, evitando riscos à saúde. Coma a cada três horas e evite ficar longos períodos de estômago vazio. "Procure ingerir um pouco de tudo, sem exageros, e nunca pratique exercícios físicos sem comer. Esses são erros cometidos com muita frequência", finaliza a Dra. Andréa.

Por Carolina Pain (MBPress)

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