5 dicas para vencer a fome emocional e nunca mais comer por impulso

Psicóloga Maria Cristina Ramos Britto indica algumas reflexões para desassociar emoção de comida!
fome emocional

Foto: Istock

A ditadura da magreza, com a imposição de padrões estéticos inalcançáveis, propaga a associação entre obesidade e maus hábitos, rotulando a pessoa acima do peso como preguiçosa, incapaz de resistir à comida (quem nunca ouviu um comentário do tipo: “Fulana/Beltrano tem o olho maior que a barriga”?), e outras ideias preconcebidas que responsabilizam o gordo por seus quilos a mais. 

Se fechasse a boca, fizesse exercício físico ou “tivesse vergonha na cara”, emagreceria, são as críticas comuns de gente às vezes nem tão magra. Seguindo este raciocínio, conclui-se que, se o indivíduo é culpado por seu estado, tem que ser punido. No caso do obeso, o castigo vem em forma da prescrição de toneladas de alface e proibição de brigadeiro. Como reza a cartilha dos saradões, sem dor não há ganho. 


Mas então por que, pelos dados divulgados pelo Ministério da Saúde, em 2017, um em cada cinco brasileiros está obeso, o efeito sanfona assombra quem perde peso em pouco tempo e sem orientação e as pessoas continuam em busca do método definitivo para perda de peso?

A resposta para quem quer emagrecer para ser feliz e não por pressão social está na mente e na chamada fome emocional. Muitas pessoas comem para aliviar tristeza, tédio, raiva ou para fugir de uma situação incômoda, mas, como as causas não são enfrentadas, será preciso   mais comida para “engolir” o problema. Esta é uma estratégia para lidar com o desconforto, um hábito muitas vezes adquirido na infância: o choro da criança que era interrompido com um chocolate ou biscoito, quando o motivo não era fome.Mas se as emoções podem engordar as pessoas, o reconhecimento delas ajuda no processo de emagrecimento. 

Eis 5 dicas de como desassociar emoção de comida: 

fome emocional

Foto: Istock

1) Pergunte-se: é fome ou vontade de comer? 

A fome física é reconhecida pela sensação de vazio no estômago, quando a barriga ronca e, às vezes, vem acompanhada de soluços. A pessoa está sem comer há um bom tempo e se satisfaria com o que tivesse na geladeira. Já a fome psicológica surge em decorrência de um acontecimento que provoca reações emocionais, vem acompanhada de sensações de compensação e merecimento, e, principalmente, é seletiva, não passa com salada ou carne grelhada, só com alimentos específicos, doces e gordurosos.

2) Preste atenção ao seu corpo

Muitas vezes, o que parece ser fome, na verdade, é sede. Se você comeu há pouco tempo e ficou satisfeita, beba água e espere 20 minutos, para ver como seu organismo reage. Desenvolva a percepção de suas necessidades. E isto não vale apenas para a comida.

3) Observe seus hábitos

Você tem o hábito de beliscar em casa ou no trabalho, quase sempre no mesmo horário? O problema está em não contar as guloseimas como refeição e acabar com a ideia ilusória de que, se não conta, não existe. Para você, qual a função dos lanchinhos? De novo, prestar atenção ao comportamento é fundamental para entender por que os ponteiros da balança não param de subir.

4) Descubra maneiras de lidar com os desafios

Busque alternativas para lidar com as emoções negativas e as situações difíceis. Afinal, o único resultado de afogar as mágoas em um sundae gigante a cada contrariedade será o ganho de peso. E mesmo nos momentos de alegria, não se presenteie com comida. Encontre outras formas de celebrar as suas conquistas.

5) Permita-se

Não tenha medo ou vergonha de suas emoções. Você tem direito de sentir tristeza, raiva, medo, angústia, indiferença, e também surpresa, alegria, saudade, amor, dúvida. Enquanto você não validar emoções e sentimentos, não reconhecê-los e não aprender a lidar com eles, continuará fugindo de si mesma através da comida. 

Por Maria Cristina Ramos Britto - Psicóloga com especialização em terapia cognitivo-comportamental.

Comente