Você sabe o que come? Cuidado com os agrotóxicos

Você sabe o que come Cuidado com os agrotóxicos

Todos os dias consumimos frutas, legumes e verduras. Por mais frescas e vivas que elas possam parecer, por trás de cada uma existe uma forma de produção perigosa para a nossa saúde: a utilização de agrotóxicos para o extermínio de pragas.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) desenvolveu o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), visando, além da fiscalização dos produtos, a informação ao consumidor. "O consumidor precisa saber que está exposto a um risco excessivo à saúde em função do excesso de resíduos de agrotóxicos contidos nos alimentos", conta Adriana Charoux, pesquisadora do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor).

O gerente geral de toxicologia da ANVISA, Luiz Cláudio Meirelles, ratifica o que Adriana falou: "Qualidade nos produtos é o nosso papel e informar a população é a melhor estratégia. Uma população informada entende muito mais e passa a cobrar as empresas. Sem a informação, a população não tem poder de reação nenhum". Por isso mesmo, o PARA estende seus objetivos em 27 estados.

Funciona assim: são coletadas amostras, principalmente em supermercados, para análise em laboratórios de alta tecnologia. "Em cada amostra procuramos por 230 agrotóxicos diferentes", conta Luiz. A partir dessas amostras eles podem afirmar se os produtos utilizados estão dentro dos limites estabelecidos pela ANVISA ou se a produção sofreu algumas alterações perigosas.

A ANVISA tem a responsabilidade de avaliar a toxicidade dos agrotóxicos, analisar se os produtos utilizados podem ou não causar algum risco a alguma das partes da cadeia de produção, ou seja, ao trabalhador, ao agricultor e ao consumidor. "Estabelecemos limites para a utilização dos agrotóxicos, para que não provoquem danos, tanto a curto prazo, quanto a longo prazo", afirma Luiz. Além disso, a ANVISA é responsável por fazer periodicamente uma reavaliação de produtos quanto ao grau de toxicidade, colocando limites ou mesmo banindo produtos que são altamente perigosos.

"Comer a gente não pode escolher, tem que comer todos os dias. Então lutamos para que as indústrias usem menos agrotóxicos, desenvolvam boas práticas de produção, mudem o modelo produtivo e busquem desenvolver cada vez mais práticas que não necessitem de agrotóxicos", declara Luiz. "Ainda está muito aquém do desejado. O ideal seria extinguir o uso de agrotóxicos. Mas, enquanto não chegamos nisso, tentamos diminuir ao máximo os produtos conhecidos e para que a exposição seja mínima, ou nenhuma", completa.

Adriana relata que, atualmente, é muito comum produtos de baixa carga serem autorizados pela ANVISA, mas quando chegam nas mãos de produtores, esses produtos sofrem uma alteração na fórmula, tendo, então, um acúmulo de produtos prejudiciais à saúde. "O ideal seria valer de produção e consumo sustentável, mas, por enquanto, está muito longe da nossa realidade", completa.

O Brasil é hoje o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Apenas no primeiro semestre de 2010, foram gastos R$ 60 milhões em agrotóxicos. São aproximadamente 650 toneladas por ano utilizadas nas produções agrícolas e que vão diretamente para a nossa mesa.

O contato, direto ou indireto, de agrotóxicos pela utilização incorreta de produtos pode causar câncer, mutações gênicas, problemas no desenvolvimento dos fetos, problemas na produção de hormônios ou nos hormônios em si, danos nas partes neurológicas além de distúrbios no metabolismo.

Adriana ressalta a importância do consumidor em pressionar as empresas, ligando, por exemplo, no atendimento ao consumidor, perguntando sobre os produtos, tentando obter informações sobre a quantidade de agrotóxicos, etc. "Isso configura uma pressão nas empresas, que é um fator constrangimento grande. Assim as empresas tentem a tornar os processos mais transparentes e mais rigorosos".

E, se você puder escolher entre produtos orgânicos e comuns, cultivados com agrotóxicos, não pense duas vezes. "Entre produtos que tenham agrotóxicos e produtos sem resíduos, prefira sempre os que não tenham nada", afirma Adriana. "Por incrível que pareça, produtos orgânicos duram mais e até a cor deles é diferente".

Por que alimentos orgânicos são mais caros?

Muitas pessoas não compram esse tipo de alimento, não por falta de vontade, mas porque o preço elevado desses produtos desanima milhares de consumidores. Mas então, porque os preços não baixam?

Segundo Adriana, uma série de fatores envolve o preço dos produtos orgânicos. Primeiro é a forma como os orgânicos são produzidos, bem diferente dos produtos normais. Os orgânicos são cultivados por redes menores que possuem um gerenciamento de cultura para não acabar com o solo. Eles perdem para a produção em larga escala, pois os produtos são cultivados de forma mais artesanal.

Os supermercados também contribuem para que o preço dos produtos se eleve. Esses meios possuem um nicho de compradores com maior poder aquisitivo, portanto, a margem de lucratividade deles será muito maior se orgânicos forem vendidos a um preço maior. Mas o consumidor deve ficar ciente de que não são somente em supermercados que os produtos orgânicos podem ser encontrados. Existem outras formas de adquiri-los, como em feiras especializadas e entregas domiciliares.

Se você está interessado, acesse o www.planetaorganico.com.br. Este site disponibiliza diversos endereços, para todo o Brasil, de locais que vendem produtos orgânicos, inclusive por preços mais acessíveis. Vale a pena conferir.

Mais informações sobre orgânicos? O Ministério da Agricultura desenvolveu um site para sanar as suas dúvidas: www.prefiraorganicos.com.br.


Além disso, o Ministério da Agricultura também desenvolveu um site para que o consumidor seja mais bem informado quanto ao produto que está comprando. O serviço "Além do Rótulo" visa informar o indivíduo sobre propriedades nutricionais, recomendações, restrições e dicas de compra, transporte, armazenamento e uso culinário de hortaliças e frutas.

Acesse: www.alemdorotulo.com.br

Por Tissiane Vicentin (MBPress)

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