Mulheres gordoréxicas

Gordorexia

Há muitos mitos e verdades a respeito do sobrepeso. Embora haja quem afirme que há gordinhas saudáveis, médicos e nutricionistas afirmam que essa combinação raramente é possível.

Segundo a nutricionista Natália Bisconti da Clínica Flávio Queiroz e Clínica Franco e Rizzi, nem todas as pessoas conseguem distinguir uma gordurinha a mais de obesidade. Ela explica: "Uma pessoa gordinha, ou com sobrepeso, é aquela que apresenta o IMC entre 25,0 e 29,99. Já a obesidade é divida em três diferentes graus: Grau I, com IMC entre 30,0 e 34,99, Grau II, com IMC entre 35,0 e 39,99 e Grau III, a chamada obesidade mórbida, com IMC a partir de 40,0". Índice de Massa Corporal (IMC) é um cálculo entre a relação peso/altura (peso/ altura x altura).

A nutricionista revela que assim como há transtornos alimentares em que a pessoa se vê gorda demasiadamente, há outros nos quais ela não se dá conta do excesso de gordura corporal. "Nem sempre as pessoas se dão conta de seu peso real. Existe um transtorno de imagem corporal chamado gordorexia, o acometido indivíduo não se enxerga como um obeso, passando a acreditar que está dentro de uma faixa de peso normal e isso pode ser prejudicial de diversas maneiras", esclarece Alessandra Coelho, coordenadora da equipe de nutrição.

O grande problema do sobrepeso é o conjunto de complicações que ele pode trazer para a saúde. "Sabemos que a obesidade é uma doença que pode desencadear diversas alterações em nosso organismo como hipertensão arterial, diabetes tipo 2, aumento dos níveis de colesterol no sangue, entre outras", afirma a nutricionista. "Não podemos afirmar isto, pois os estudos mostram que o excesso de gordura corporal pode mais cedo ou mais tarde trazer diversos problemas ao nosso corpo", assim não somente os obesos devem se preocupar, qualquer sobrepeso é motivo de alerta.

Somente o IMC não é suficiente para se ter completa noção da sua condição física. Alessandra explica: "Por ser uma correlação apenas entre peso e altura não é possível através desta fórmula avaliarmos a composição corporal (% de músculo, gordura e água) e nem em qual local o excesso de gordura está concentrado". E completa: "Já está estabelecido que o aumento da reserva de tecido gorduroso, principalmente em região abdominal, é o mais prejudicial à saúde". Por esse motivo é bom consultar um especialista.

O primeiro pensamento de quem deseja perder peso, ou não engordar mais, é: "preciso comer menos", esse é um grande equívoco. "Erros como períodos longos sem se alimentar, falta de rotina na alimentação e sedentarismo também colaboram para o ganho de peso. Dietas muito restritivas não favorecem a perda de peso a longo prazo, e com o passar do tempo o organismo se adapta a gastar pouca energia, tornando o metabolismo mais lento e a perda de peso cada vez mais difícil", garante Natália. "Existe um exame denominado Calorimetria Indireta em Repouso que pode avaliar o gasto metabólico basal de uma pessoa", completa.

Cuidado com a afirmação de que é possível ser gordinha e saudável. Essa combinação dificilmente é possível, isso porque, segundo a nutricionista, a obesidade está associada ao desenvolvimento de uma série de doenças crônicas, como doenças cardiovasculares - hipertensão, arterosclerose (acúmulo de placas de gorduras nas artérias), que pode levar à infartos e acidentes vasculares. Natália acrescenta: "Outras complicações comuns em obesos são o diabetes e o desenvolvimento de diversos tipos de câncer que podem reduzir a expectativa de vida. Além disto, vale a pena citar as alterações ortopédicas que o excesso de peso pode causar".


Para aquelas mulheres que dizem serem felizes mesmo estando acima do peso, a nutricionista tem um recado: "É importante ressaltar que esta questão está além da estética. Não há como prever se o excesso de peso não trará consequências piores do que um jeans que não fecha", afirma. "É necessário avaliar a saúde do paciente como um todo, incluindo o histórico familiar, que pode determinar a probabilidade do desenvolvimento das doenças crônicas não transmissíveis que são hereditárias. Portanto, manter-se em uma faixa de peso considerada saudável é fundamental como forma de prevenção de doenças", finaliza.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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