Grávida consome apenas frutas e alimentos crus

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foto reprodução: Instagram/Loni Jane

O estilo de vida de uma celebridade da web causou polêmica entre os internautas. A australiana Loni Jane Anthony come apenas de frutas e vegetais crus na gravidez, isso mesmo, sua dieta é baseada nesses alimentos e justamente durante a gestação.

Loni, que tem 25 anos e mais de 100 mil seguidores no Instagram, disse em entrevista a um portal de notícias australiano que adotou a dieta 80/10/10, do americano Doug Graham, há cerca de três anos, quando percebeu que seu estilo de vida, regado a álcool, baladas e comida de má qualidade, estava afetando seu corpo.

A dieta 80/10/10 do Dr. Doug Graham consiste em uma dieta crudívora (baseada em alimentos crus) baseada em 80% de carboidratos simples, 10% de gordura e 10% de proteína (a porcentagem se refere à proporção de calorias). Para obter essas quantidades o médico indica o consumo de frutas, vegetais e oleaginosas em sua forma inteira, frescos, maduros, crus e orgânicos.

Quando acorda, Loni costuma tomar até 2 litros de água com limão. Também recorre a uma melancia ou uma vitamina com pelo menos cinco bananas. Com a gravidez, ela ainda come muitas laranjas pela manhã.

No almoço, ela come cinco ou seis mangas, pois segundo ela é bom para a digestão. Em um dia de muitas atividades, ela acrescenta uma salada. No jantar, Loni prepara sempre uma salada grande, que de vez em quando é acompanhada de algo cozido.

A designer recebeu muitas críticas, tanto positivas quanto negativas, a respeito de seu novo estilo de vida radical. Alguns acreditam que a dieta é deficiente, algo ainda mais perigoso para uma grávida. Outros, em contrapartida, acreditam que ela está consumindo os nutrientes certos. Mas o que os especialistas acham disso?

Como deve ser a alimentação na gravidez?

A nutricionista Cintya Bassi, do Hospital e Maternidade São Cristóvão, afirma que dietas como essa, ricas em açúcar simples, devem ser desestimuladas, já que podem surgir deficiências nutricionais, além de outros problemas de saúde, como o surgimento de cáries, acúmulo de gordura corporal, redução na quantidade de bactérias benéficas e aumento da população de parasitas no intestino.

Cintya afirma ainda que, de acordo com órgãos de saúde internacionais, o consumo de carboidratos deve abranger entre 55 e 75% do valor calórico total de uma dieta e para isso devemos dar preferência aos alimentos na sua forma integral, que conservam fibras e outros nutrientes importantes a saúde.

A recomendação de gordura é de 15 a 30% do valor calórico da dieta, sendo que esse nutriente é importante para obtenção de energia, transporte de vitaminas lipossolúveis, função cardioprotetora, entre outras. Devem-se preferir boas fontes de gordura, como óleos vegetais frios, por exemplo, e evitar frituras e gordura animal que possuem efeito inverso.

As proteínas são recomendadas numa proporção de 10 a 15% do valor calórico total. O consumo abaixo da recomendação pode acarretar diminuição da massa muscular, deficiência no sistema imunológico, entre outros problemas.

Além disso, o bebê também pode ser prejudicado. "Durante a gestação é importante priorizar uma alimentação de qualidade e consumir uma variedade de alimentos que possa contemplar todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento do bebê", afirma a nutricionista.

Segundo a profissional, no primeiro trimestre, a frequência cardíaca e volume do sangue da mãe aumentam e o sistema nervoso do bebê começa a ser formado, por isso existe uma necessidade maior de alimentos que contenham ferro, ácido fólico e água, minerais encontrados em alimentos como carnes, ovo, feijão, verduras verde escuras como espinafre e couve, e também cereais e frutas cítricas.

No segundo trimestre, para auxiliar no crescimento e formação da pele, ossos, cartilagens e vasos sanguíneos do bebê é importante reforçar a ingestão das vitamina C e B6, além do magnésio, que podem ser encontrados nas frutas, como acerola, limão, laranja, kiwi, abacaxi, morango e também na farinha de milho e trigo, leites e derivados, peixes, nozes e cereais integrais, entre outros.


Por fim, no terceiro trimestre, quando começam a se esgotar as reservas da mãe, é necessário suplementar a alimentação com cálcio e vitamina D, encontrados nos leites e derivados, bebidas a base de soja, tofu e manteiga. "É importante ressaltar que todos os nutrientes, além dos citados, são importantes durante a gestação e por isso a alimentação deve ser sempre variada e equilibrada e que as necessidades individuais devem ser avaliadas por um profissional", conclui.

Por Jessica Moraes

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