Glúten é mesmo um vilão da dieta?

Glúten é mesmo um vilão da dieta

Foto: Georges/SoFood/Corbis

Abrir mão de determinados alimentos que se gosta para ver o ponteiro da balança despencar é uma medida tomada por um incontável número de pessoas. Há quem abra mão dos doces, das frituras e até da carne vermelha. E nessa lista de restrições foi incluído o glúten, a bem conhecida farinha de trigo.

Quem definiu o glúten como um vilão foi o médico cardiologista americano William Daves, autor do best seller "Barriga de Trigo". Ele alega que o glúten estimula o apetite, provoca picos exagerados de açúcar no sangue, desgasta cartilagens e ossos e aumenta riscos de diabetes e doenças cardíacas.

O especialista comentou no livro que ao pedir que seus pacientes ameaçados por doenças cardíacas eliminassem o glúten da alimentação, eles perdiam entre 10 e 25 quilos nos primeiros meses, reduzindo drasticamente a circunferência abdominal e a obesidade, alguns dos fatores de risco de doenças do coração.

Entretanto, a nutricionista Lia Buschinelli, do Instituto Paulista de Cancerologia (IPC), faz algumas considerações sobre o assunto: "Não há nenhuma relação entre o consumo de glúten e o risco de doenças cardíacas. Provavelmente os resultados que este médico encontrou são consequência de uma dieta sem pães, massas, bolos, bolachas e cereais, já que o trigo está presente em todos eles", afirma.

E completa: "Os indivíduos que eliminaram o trigo da dieta reduziram de forma significativa o consumo alimentar de forma geral, resultando em menor consumo calórico, e, assim, reduziram o peso. O mesmo resultado poderia ter sido obtido com outra dieta que eliminasse qualquer ingrediente ou alimento consumido regularmente pelos indivíduos".

Lia ressalta que, de acordo com parecer técnico do Conselho Regional de Nutricionistas da 3ª região, publicado em 2011, a eliminação do glúten da dieta só deve acontecer mediante diagnóstico clínico confirmado de doença celíaca, dermatite herpetiforme ou alergia ao glúten. Ou ainda quando eliminada a hipótese de doença celíaca, haja diagnóstico clínico confirmado de sensibilidade ao glúten (também denominada como intolerância ao glúten não celíaca).

A nutricionista explica que o consumo de qualquer alimento com glúten (trigo, centeio, cevada, aveia e malte) pode trazer consequências imediatas, como cólicas, diarreia e dores abdominais para quem apresenta esses problemas. "A longo prazo pode causar deficiência de nutrientes, déficit de crescimento (no caso de crianças), anemia, dentre outras consequências da má absorção de nutrientes, em função da inflamação que o glúten causa na parede do intestino", explica.

Quem deseja eliminar o glúten da dieta apenas para emagrecer terá que mudar e muito o hábito alimentar, uma vez que ele está largamente presentes em pães, bolos, massas, biscoitos e cereais matinais. Caso a substituição destes alimentos seja feita de forma adequada e com orientação profissional, não haverá nenhum prejuízo para a saúde.

O que pode ser feita é a troca pelas versões sem glúten. Veja alguns exemplos citados pela nutricionista Lia Buschinelli:

- Optar por pães, bolos, tortas e bolachas feitos com mandioca, farinha de mandioca, fécula de batata, farinha de arroz ou farinha de milho.

- Trocar as massas comuns feitas de trigo pelas massas de arroz ou milho, que não contêm glúten.

- Trocar cereais matinais à base de trigo e aveia por opções contendo flocos de milho e arroz. Em todo caso, vale checar na embalagem se o alimento contém ou não glúten.

- Ao engrossar molhos, evite a farinha de trigo e dê preferência ao amido de milho.


Juliana Falcão (MBPress)

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