Glicação: conheça os prejuízos do excesso de açúcar

Glicação conheça os prejuízos do excesso de açúcar

Foto: moodboard/Corbis

Moderar na quantidade de açúcar que ingerimos não é uma medida tomada apenas para equilibrar o peso. Em excesso, ele abre portas para doenças graves e agiliza o envelhecimento da pele. Essa ação negativa que a glicose promove no organismo é chamada de glicação.

A glicação é uma reação na qual carboidratos, como a glicose, ou lipídeos ligam-se permanentemente a proteínas, sem a atuação de uma enzima. Desse modo, essas proteínas sofrem modificações e impedem que as células desempenhem seus papéis direitinho. Essa mutação leva à formação de AGEs (advanced glycation end products, ou produtos finais da glicação avançada), substâncias responsáveis pela aceleração do envelhecimento.

"Esses AGEs modificam as propriedades químicas e funcionais de células do organismo, danificando vários órgãos", explica a Dra. Flavia Coutinho, endocrinologista da Clínica Vivid. A glicação, na verdade, é feita por todo ser humano, afinal de contas, nossa glicemia não pode ser zero. Ela só é maléfica quando ocorre em excesso, ou quando a pessoa não produz insulina suficiente manter equilibrada sua taxa de glicemia.

Dra. Analuiza Nogueira dos Santos, nutricionista funcional da Fluyr Saudável - Clínica de Reabilitação, Estética, Relaxamento e Bem-Estar, alerta que alimentos de alto índice glicêmico (balas, doces, refrigerantes, massas dentre outros) e alimentos ricos em gordura saturada e gordura trans favorecem a reação de glicação. "Também as carnes defumadas e assadas em alta temperatura, bolos e tortas já possuem AGEs em sua composição, pela adição de conservantes, corantes químicos e realçadores de sabor", completa.

A endocrinologista afirma que em pessoas com diabetes mellitus a glicação ocorre em excesso, o que acaba desencadeando outros problemas associados a essa doença, como cardiopatia, retinopatia, nefropatia. "Os AGEs são os principais responsáveis pelos danos celulares e teciduais observados no diabetes. Como consequência, essa doença é considerada a principal causa de cegueira, insuficiência renal, neuropatias debilitantes e doenças cardiovasculares em países desenvolvidos."

Glicação conheça os prejuízos do excesso de açúcar

Foto: David Jakle/Image Source/Corbis

Rugas precoces

Outro dano causado pela glicação é o envelhecimento precoce. Os AGEs provocam o endurecimento e a degradação dos tecidos de suporte da pele, causando danos nas fibras dérmicas. Assim elas vão perdendo progressivamente a elasticidade e a tonicidade, o que favorece o aparecimento de rugas na superfície da pele e flacidez.

"Os tratamentos clássicos, tais como toxina botulínica, preenchimento, lasers e radiofrequências são tratamentos altamente eficazes para minimizar o envelhecimento da pele e agem em sinergia quando combinados", explica a dermatologista Dra. Carla Albuquerque, membro efetivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Uma série de ativos presentes nos cosmecêuticos (produtos que agem na derme, a camada profunda da pele) têm ação antiglicação. A dermatologista fez uma listinha. Você pode dar uma olhada e conversar com o seu médico sobre quais deles são mais recomendados para o seu caso:

- Aldenine: associação de proteínas de trigo e soja, hidrolisadas e tripeptídeo-1

- Algisium C: metilsilanol manuronato

- Alistin: decarboxicarnosina

- Ameliox: associação de lecitina, carnosina, tocoferol, extrato de silybum marianum e glicerina

- Coffe skin: associação de antioxidantes naturais - semente de café, rutina e glicerina

- Dragosine: L-carnosina

- Trylagen: combinação de peptídeos e proteínas

- Preventelia: tetrapeptídeo

"Temos ainda o ácido alfalipoico e o picnogenol que, associados a tecnologias de ponta como a nanotecnologia, são exemplos de ativos usados nos produtos modernos. E não podemos esquecer os ativos tradicionais e de ação reconhecidamente eficaz, como os retinóides e os alfa-hidroxiácidos, assim como as vitaminas de ação antioxidante. Todos possuem ação antiglicação", lembra Dra. Carla.

Glicação conheça os prejuízos do excesso de açúcar

Glicação X boa alimentação

Segundo Dra. Flavia Coutinho 10% dos AGEs que consumimos por meio da dieta são absorvidos. Dessa fração, cerca de 2/3 são retidos no organismo e apenas 1/3 é excretado pela urina. Para que a glicação se dê de maneira correta, precisamos dar uma boa atenção ao que colocamos no prato.

Um das medidas é nos preocuparmos com a composição em nutrientes e o processamento (método, duração e temperatura) do que consumimos. Segundo a nutricionista Dra. Analuiza, estudos revelam que alimentos como feijões, ervilha, lentilha, chá-verde, açafrão, canela, alho, quinua, aveia, cevada, semente de chia e óleo de linhaça podem ser grandes aliados contra a formação de AGEs.

A orientação da dermatologista é substituir os carboidratos simples (arroz branco, pão francês e doces) por carboidratos integrais ou o açúcar refinado pelo mascavo ou mel. Estes, apesar de terem o mesmo valor energético, possuem vitaminas e substâncias antioxidantes interessantes para a beleza da pele.

"Também ingira peixes de água gelada (salmão, sardinhas, truta, anchovas e arenque), que são fontes de ômega 3 e ovos enriquecidos. Dê mais atenção às fibras, beba dois litros de água por dia, evite alimentos industrializados e tome chá verde ou suplementos à base dessa bebida com probióticos e antioxidantes", completa Dra. Carla.

Dra. Flavia alerta que, entre os alimentos ricos em lipídios, a manteiga, a margarina e o queijo parmesão apresentam as maiores concentrações de AGEs. Nos grupos dos alimentos ricos em carboidratos, estão na lista negra alguns produtos industrializados, como cereais matinais, biscoitos e batatas do tipo chips ou fast food.


"Métodos de preparo que utilizam temperaturas superiores a 170°C, como fritar, assar e grelhar, potencializam a formação de AGEs. Sendo assim, sugiro cozer os alimentos sob temperaturas mais brandas, em torno de 100°C, por períodos curtos de tempo ou em presença de umidade, como o cozimento em água ou em vapor", diz e endocrinologista. "Essas medidas simples exercem efeitos importantes e também previnem as complicações do diabetes", finaliza.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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