Farinha da Amazônia supre necessidades nutricionais de crianças

Farinha da Amazônia supre necessidades nutricionai

Tucumã. Foto/Reprodução arara.fr

O Brasil é um dos países mais ricos do mundo em fauna e flora. E não é fácil entender como um país tão rico em produtos naturais pode ter tantas crianças subnutridas. Foi pensando nisso que uma pesquisadora da Amazônia começou um estudo sobre alguns frutos da região.

Lúcia Yuyama, pesquisadora do Instituto de Pesquisa da Amazônia (Inpa), criou a farinha de tucumã, buriti e pupunha. Os três frutos, de cor alaranjada, são ricos em carotenóides, uma pró-vitamina A que, após o consumo, é convertida em vitamina no organismo. "Uma vez que os frutos são perecíveis e sazonais, uma opção desejável transformá-los em farinha, como as de pupunha, tucumã, buriti, umari e uxi, fontes de energia, minerais e fibra alimentar", explica.

A pesquisadora afirma que o consumo deve ser feito com cuidado. Isso porque a matéria-prima é rica em óleo vegetal, podendo se transformar em gordura. "As farinhas podem ser utilizadas como valor agregado a uma preparação salgada ou doce. Como, por exemplo, farinhas adicionadas ao leite no café da manhã, em mingaus de tapioca, banana, mungunzá, cremes e doces, ou em preparações salgadas como papas, pirão, cozidos, feijão e, por que não, numa mistura de farinhas de mandioca e das frutas mencionadas?", sugere Lúcia.

Yuyama lembra que o açaí também é um grande aliado na nutrição da população e a antocianina é o componente responsável pela cor avermelhada do fruto. "Açaí é um fruto rico em energia, fibra alimentar e minerais. Salienta-se que o açaí não é fonte majoritária de ferro, o máximo é de 1,2 mg em 100g da parte comestível, e não cura anemia. No entanto é fonte de antocianina, um potente antioxidante".

A pesquisadora revela que gostaria que a farinha fosse integrada à merenda escolar das escolas públicas da região. Porém, esse fato ainda está distante. "É preciso uma política pública de incentivo à produção e ao processamento e agregação de valor. Há empresários interessados. Espera-se que isso seja uma realidade, uma vez que a merenda escolar foi municipalizada. Como cada município tem a sua vocação é preciso explorar o potencial local", explica.

"Os estudos envolvendo farinhas é algo novo. Espera-se que com a divulgação e consequente socialização dos conhecimentos, as farinhas coloridas sejam adotadas na sua plenitude, objetivando a melhoria do estado nutricional, condições de saúde e segurança alimentar e nutricional", idealiza Lúcia.

Os períodos de entressafras não serão problemas para a produção. As temporadas dos três frutos (tucumã, buriti e pupunha) são intercaladas, dessa forma há sempre um disponível. "No período de grande abundância, frutos como tucumã, uxi, umari e buriti são consumidos in natura, com farinha de mandioca ou isoladamente. Podem ainda serem processados e a sua polpa congelada para diversos usos: sorvetes, cremes, doces, recheios ou farinhas", sugere a pesquisadora.

Crianças, gestantes, nutrizes (amas de leite) e idosos são os grupos que mais se beneficiam com o consumo da farinha. "Obviamente a população, de um modo geral, pode fazer uso das farinhas coloridas, com a ressalva de que os com sobrepeso e obesidade devem consumir com moderação", explica Lúcia. "Por serem frutos com alta densidade energética, sugere-se o consumo de três frutos, ou três colheres de farinhas ao dia", completa.


A preparação da farinha é um processo relativamente simples. Após a colheita dos frutos, os grãos são selecionados, lavados e secos. Para a secagem é utilizado estufa ou forno de fogão. "Uma vez processadas e acondicionadas, só resta usar da melhor forma possível. Até mesmo como farinha pura adicionada ao arroz com feijão e em outras preparações", sugere a pesquisadora.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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