Efeito sanfona - riscos e prevenção

Efeito sanfona  riscos e prevenção

Você está acima do peso, mas não se sente à vontade com isso. Então, decide fazer o sacrifício necessário para emagrecer e deixar o corpo em dia: malha, muda completamente a dieta e, por fim, consegue atingir o peso ideal. Feliz, você comemora durante alguns meses, quando, de repente, descobre que nada adiantou, porque você recuperou todo o peso perdido e mais algum.

Infelizmente, a história contada acima se repete com cada vez mais frequência, especialmente com as mulheres - maiores vítimas do "efeito sanfona". Mas por quê? De acordo com o neuropsiquiatra Sidney Chioro, especializado em tratamento da obesidade, as pessoas voltam a engordar porque não cortam a causa do sobrepeso, mas apenas o efeito.

Para o médico, nosso corpo pode ser comparado a uma árvore, e a gordura, às folhas. Quando simplesmente podamos a árvore, então os ramos e folhas tendem a crescer com ainda mais força. "Por isso é que, em geral, a pessoa que emagreceu e volta a engordar, engorda até um pouco mais que seu peso inicial", afirma.

Analisando o "efeito sanfona" dessa maneira, Sidney apresenta duas causas principais para o mal: comer por impulso e retenção - quando o intestino não funciona muito bem. A maioria das pessoas que vivem engordando, emagrecendo e engordando novamente comem não pelo prazer dessa ação, e sim por impulso.

Essa falta de educação alimentar faz com que muita gente ganhe peso rapidamente. Então, como também querem perder os quilinhos a mais depressa, costumam recorrer a dietas da moda para emagrecer. Até conseguem, porém permanecem esbeltas por pouco tempo. Logo voltam a se alimentar do jeito errado, por impulso e com excesso de calorias.

Mesmo quem deu duro para conseguir o "corpo dos sonhos" pode cair na armadilha de voltar aos hábitos de quando estava acima do peso. "O que ocorre é que muitos acham que chegaram ao patamar ideal e podem relaxar na alimentação e nos exercícios físicos", diz o fisiologista e personal trainer Givanildo Holanda Matias, diretor da microfranquia Test Trainer.

Os problemas para aqueles que vivem no ciclo engorda-emagrece são vários. O "efeito sanfona" vai fazendo a pele ficar flácida. "Com o tempo, aparece celulite e mais tarde, estrias. Então, a pele acaba com aspecto envelhecido e feio", alerta Sidney. Além disso, pessoas obesas são mais propensas a desenvolver males como aumento do colesterol ruim, hipertensão, diabetes, infarto, derrame.

Sem contar que ficar ganhando e perdendo peso acaba com a autoestima de qualquer um. Assim, sentimentos como a tristeza e insegurança se tornam comuns. Depois de algum tempo, a pessoa tende a ficar desiludida, acreditando que nunca conseguirá permanecer magra, e que, portanto, deve deixar a saúde de lado.

A orientação do neuropsiquiatra é que cada um aprenda a controlar os impulsos. "Já existe um método desenvolvido na França que trabalha com duas técnicas: uma para enfraquecer o impulso de comer e outra pra fazer os rins e intestinos terem eliminação excelente".

"A pessoa pode comer o que quiser e vai deixar de comer - o jeito que ela come é o que muda. O magro tem um jeito de comer que o torna magro: comer sem impulso. Quando come pelo impulso, forma pouca saliva, estômago não produz os ácidos direito, intestino funciona mais lento e a pessoa acaba engordando. Quando come pelo prazer verdadeiro, todo o aparelho digestivo funciona super bem, então os excessos vão embora".

Agora, para quem quer fugir do terrível "efeito sanfona", ai vão as dicas de Givanildo:

- Continue queimando mais calorias do que as consome.

- Mantenha o equilíbrio entre atividade física, exercício físico e dieta. Atividade física é qualquer tipo de movimento corporal voluntário, como caminhada para a escola, tarefas domésticas e no ambiente de trabalho, que eleve o gasto energético do indivíduo acima dos níveis de repouso. Já o exercício físico é todo movimento realizado com planejamento, programação e objetivo específico, como é o caso de natação, musculação, corrida e ginástica, por exemplo. Você não terá bons resultados se praticar uma hora de exercício físico pela manhã, mas passar o dia todo sentado no escritório. Tente realizar alguma atividade no meio do dia, como uma breve caminhada após o almoço. Também ajuda andar até um ponto de ônibus mais distante, levar o cachorro para passear, varrer a calçada, dançar...

- Não é porque você emagreceu que pode abusar nos finais de semana. Aquele chopp com pizza pode sim se transformar em quilinhos extras e colocar tudo a perder. Use a lei da compensação: comeu mais em um dia, coma menos e malhe mais em outro.

- Tenha em mente que o exercício físico faz parte da adoção de um estilo de vida saudável e para sempre. Se você parar de se exercitar, além de ganhar peso, perderá saúde.

- Evitar vícios como álcool e fumo, ter sono regular e momentos agradáveis de lazer contribui muito para alcançar sucesso em qualquer plano de perda ou manutenção de peso.


- Mantenha o programa alimentar e físico por pelo menos seis meses - tempo adequado à adaptação do organismo ao novo peso. Tendo atingido o peso ideal, saia de vez em quando da dieta - coma aquele doce desejado ou descanse um dia na semana. Fique atento, porém, a ganhos mínimos de peso e não se deixe levar pela gula - "é só mais uma barrinha" - ou pela preguiça. Atenha-se à matemática do equilíbrio entre a ingestão e o gasto de calorias.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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