Dieta mediterrânea ‘abrasileirada’ ajuda o coração

Dieta mediterrânea ‘abrasileirada’ ajuda coração

Foto: FreeDigitalPhotos http://bit.ly/JHVdLe

Uma dieta mediterrânea à brasileira, que substitui atum, castanhas e azeite extravirgem por alimentos baratos e acessíveis no País, como sardinha, milho, sopa de feijão e tapioca. Esse é o projeto do Hospital do Coração (HCor), em parceria com o Ministério da Saúde.

A ideia é lançar no Brasil uma dieta com alimentos de baixo custo e presentes na rotina dos brasileiros para a prevenção de doenças cardiovasculares, voltada às pessoas que já tiveram infarto ou derrame ou que correm maior risco de sofrê-los por causa de hipertensão e colesterol alto.

Da primeira fase do projeto, que avaliou a efetividade da dieta, participaram 120 pessoas cardíacas do Rio de Janeiro e de seis cidades de São Paulo (incluindo a Capital), durante oito semanas.

Metade recebeu as orientações de praxe que são dadas após um evento cardiovascular, como diminuir a quantidade de gorduras saturadas (presentes na carne vermelha, por exemplo).

A outra metade seguiu o material educativo e o cardápio do projeto, os quais classificam os alimentos com as cores da bandeira nacional: verde, amarelo e azul. A escolha não é à toa: os participantes foram instruídos a montar os pratos de acordo com a predominância dessas cores da bandeira.

Ou seja, a dieta recomenda ter maior quantidade de alimentos verdes (ricos em vitaminas, minerais e fibras), menor proporção de alimentos amarelos (com quantidade considerável de gordura saturada) e uma quantidade menor ainda de alimentos azuis, que contêm mais gordura, sal e açúcar.

"Usamos um aspecto lúdico e critérios factíveis para facilitar a adesão à dieta. Independentemente do grau de instrução, a pessoa dentificará o que é bom e qual a quantidade indicada", afirma a coordenadora da pesquisa do HCor, Bernardete Weber.

Ela afirma que, se os alimentos recomendados forem muito diferentes do que a pessoa come normalmente, é difícil aderir às mudanças. Segundo Bernardete, os níveis de colesterol dos participantes que seguiram a dieta cardioprotetora diminuíram.

Os pacientes também perderam peso, já que as dietas e as quantidades das calorias diárias foram adequadas para pacientes com sobrepeso ou obesidade.


A segunda fase do estudo é mais ambiciosa: envolverá cerca de 2.000 pessoas em todo o País, e, mais importante, vai elaborar diferentes dietas respeitando as variações regionais de cada Estado. Segundo Weber, isso pode incluir castanhas no Norte, suco de uva no Sul e feijão-verde no Nordeste. Os participantes não serão apenas cardiopatas, mas também pessoas com risco maior de ter um problema cardíaco.

Por Carmem Sanches

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