Dieta cromo ajuda a controlar a vontade de comer doces?

Foto: Lew Robertson/Corbis

Sentir vontade de comer doce não tem nada demais. Mas quando ela se torna constante e essencial para você conseguir realizar suas atividades "em paz", é hora de parar e analisar o que está acontecendo. Um dos motivos pode ser a falta de cromo.

Cromo é um mineral que ajuda a regular as taxas de açúcar de sangue, evitando aqueles famosos picos de insulina, ou seja, a rápida elevação da glicemia e a liberação de insulina, seguidas por uma queda brusca da glicose sanguínea, a chamada hipoglicemia. Em outras palavras, você come açúcar, fica bem e pouco tempo depois está desanimada e com fome de novo.

Assim, o papel do cromo é garantir o equilíbrio da concentração de glicose sanguínea, melhorando a captação de insulina pela célula. "Quando o trabalho da insulina é prejudicado as células não recebem glicose suficiente, que é essencial para a geração de energia. O cérebro, ao perceber esta deficiência, gera estímulos que aumentam a fome e a vontade de ingerir alimentos que elevem rapidamente a glicemia, que são aqueles ricos em carboidratos e açúcar", explica a nutricionista Marina Morgado Simões de Campos.

Este tipo de comportamento gera um ciclo vicioso e a ingestão em excesso de carboidratos de alto índice glicêmico não só aumenta a propensão ao acúmulo de gordura na região abdominal (os temidos pneuzinhos) como prejudica a ação do cromo no organismo.

Só que o nosso corpo não é capaz de produzir o cromo. Por isso, precisamos nos alimentar adequadamente para garantir sua presença no organismo. O mineral pode ser encontrado em alimentos como levedo de cerveja, maçã, brócolis, espinafre, arroz integral, feijão, cogumelo, carne, cereais integrais, oleaginosas e leguminosas.

"A absorção do cromo pode ser potencializada com a ingestão de alimentos ricos em vitamina C, como a laranja, acerola e limão", lembra a nutricionista. Ao mesmo tempo, o estresse emocional e o excesso de atividades físicas podem aumentar a eliminação de cromo do organismo por meio da urina. A ingestão exacerbada de alimentos ricos em açúcar refinado e o uso frequente de antiácidos também prejudicam a absorção do mineral.

Marina ressalta que a vontade de comer doce não tem relação apenas com a falta de cromo no organismo. Distúrbios emocionais como o estresse, depressão e ansiedade também podem fomentam a vontade exacerbada de consumir doces como uma forma de recompensa.

Uma dieta cromo é recomenda a todas as pessoas, mas quem possui diabetes mellitus tipo II se beneficia mais. A regulação da taxa de açúcar no sangue proporcionada pelo cromo ajudará o paciente no controle da glicemia, por meio do aumento à sensibilidade à insulina, a grande causa deste tipo de diabetes. A dieta também favorece os portadores de dislipidemias, distúrbio que aumenta as taxas de lipídios (gordura) no sangue.

De acordo com o National Research Council a ingestão diária segura de cromo é estimada entre 50 e 200 microgramas. Mas novos dados apontam uma quantidade diária de 25 e 35 mcg/dia, para mulheres e homens, respectivamente.

A deficiência de cromo na população brasileira é rara, já que o solo brasileiro é rico neste nutriente. E além da dieta tradicional, existem suplementos, mas estes, antes de serem consumidos, devem ser recomendados por um profissional, para que sejam evitados efeitos indesejáveis por conta de tratamentos desnecessários.

"O excesso deste mineral pode levar ao comprometimento do estado nutricional relacionado ao ferro, pois o cromo compete com o ferro pela ligação à transferrina, proteína responsável pelo transporte de ferro recém-absorvido. Outros efeitos colaterais são dor de cabeça, náusea e diarreia", alerta Marina.


Por Juliana Falcão (MBPress)