Viaje pra dentro!

Nunca se viajou tanto no mundo todo! Os aeroportos estão lotados e caóticos, os hotéis inventam maneiras e mais maneiras de entreter, receber e paparicar os hóspedes. Estes vão e vem contando as mais estapafúrdias novidades de destinos turísticos, resorts, parques temáticos - uma verdadeira farra! Aliás, com o mundo globalizado e os transportes tão rápidos o planeta parece ter se transformado em uma grande Disneylândia: tudo pertinho, feito para a pessoa ver, se divertir e não pensar.

Sim, pois se foi o tempo em que as pessoas viajavam para se reciclar, ou para um tempo sabático (podia ser um mês, um ano ou mais) ou mesmo para uma peregrinação ou retiro espiritual. Hoje ninguém mais tem tempo para essas coisas. Querem o divertimento puro e simples, rápido. Mastigado, com entrada, saída pagas e tempo de duração da brincadeira - um horror, convenhamos.

Aí as pessoas voltam de férias estressadas pois não conseguem se desligar do trabalho. Levam o celular e se conectam pelo menos uma vez por dia com e-mails. Sem perceber, agregam o fardo do trabalho ao stress natural das férias - horário de avião, de aula de hidroginástica, de pegar as crianças no kids club, de ir até a vila local para a balada... Desse jeito não dá mesmo pra descansar...

E o pior: reclamam que no fim tudo era a mesma coisa, que não se divertiram e não viram nada de novo.

Pudera! Na verdade ninguém experimenta mais nada - dá muito trabalho, requer tempo e concentração e estamos todos muito cansados para nos concentrar em encarar o desafio extenuante de uma viagem realmente diferente. Preferimos ir no conhecido e indicado pelo amigo, pelo agente de viagem - Deus me livre de confiar no próprio taco e ir atrás dos verdadeiros e loucos desejos - eu heim?

Pois se você acha tudo isso muito arriscado e perigoso saiba que estamos todos encolhendo! É isso mesmo. A melhor viagem é para dentro da gente. Se o espírito está encolhendo a ponto de não nos permitir experimentar, não há web que dê conta de nos fazer viajar - por espaços virtuais ou não - se não conseguimos sequer realizar a mais essencial de todas as viagens que é aquela para o nosso interior.

Mas para isso é preciso se desconectar de todas as traquitanas que nos ofuscam a visão para dentro de nós mesmos. E são muitas e escravizantes. O que? Você não consegue? É grave, pois desse jeito você vai continuar gastando muito e viajando para todos os destinos sem se divertir. Coragem! Será que a aventura não vale o risco de mudar um pouquinho e entregar-se ao improviso? Pense nisso.

Jornalista, escritora e palestrante, Claudia Matarazzo é autora de vários livros sobre etiqueta e comportamento: “Visual, uma questão pessoal”, “Negócios Negócios - Etiqueta faz parte”, “Amante Elegante - Um Guia de Etiqueta a Dois”, "Casamento sem Frescura", "net.com.classe", "Beleza 10", "Case e Arrase - um guia para seu grande dia", "Gafe não é Pecado" e "Etiqueta sem Frescura"

Comente