Viagem sabática para a Índia

Há alguns anos fiz uma “Viagem Sabática” à Índia e me lembrei de um fato curioso para contar à vocês. Essa viagem foi dar um mergulho no feminino. A Índia é um país com um bilhão e 200 milhões de pessoas, em que 500 milhões de pessoas estão abaixo do nível de pobreza, 80% são hinduístas, portanto são vegetarianos e não bebem álcool. Imagine um Brasil, com todas as suas qualidades e defeitos, e multiplique isso por seis. Assim é a Índia, mas sem a violência.

Fiquei maravilhada. Todos me diziam que quando voltasse algo mudaria em mim. Confesso que não me aconteceu nada de surpreendente, como a visão de um dos 300 milhões de deuses existentes ou o encontro com o meu verdadeiro Eu Superior, a minha alma. Porém, realmente voltei diferente.

Percebi que a Índia é uma grandiosa mãe para todas essas bilhares de pessoas. Embora haja muita diversidade, tudo funciona. Há vacas, pedintes, vendedores, carros, bicicletas, buzinas, cachorros, ricos e pobres, diariamente nas ruas, todos convivendo em harmonia, embora pareça um verdadeiro caos, o que indica um país verdadeiramente feminino. Já percebeu como as mulheres fazem tudo muito bem ao mesmo tempo? Ou uma mãe, que tem filhos extremamente opostos, e consegue harmonizá-los num mesmo ambiente?

No rio Ganges, rio considerado sagrado para os hindus, tudo ocorre ao mesmo tempo: pessoas lavando roupas, corpos sendo cremados, pessoas banhando-se, vendedores ambulantes em seus barcos, vacas (também sagradas) à beira do rio, enfim, tudo em perfeita sintonia.

Lá não vi brigas, não vi ladrões, não vi desavenças, pois as castas são respeitadas. Vi os mais ricos ajudando os mais pobres, vi um país de cores, que mesmo com muita sujeira e pobreza, as pessoas são alegres, se vestem com muito brilho e colorido. As mulheres e as crianças são muito enfeitadas, maquiadas e coloridas.

Os casamentos são como carreiras. São os pais da noiva que escolhem o noivo, paga-se um dote, e ela é recebida nesta nova família como uma eterna filha. A sinastria astrológica dos noivos tem suma importância e os divórcios são raros.

É um país tão grande, com tanta gente, que preserva sua cultura de uma forma surpreendente. Lá existe o cinema de Bollywood, sim, não é Hollywood, e sim Bollywood, pois se refere a Bombai. São filmes belíssimos, que participam inclusive de grandes festivais na Alemanha e em outros países da Europa. Talvez, estejamos tão acostumados com a cultura de massa e o modelo de consumo americano, que nos esquecemos que há uma Ásia inteira crescendo e preservando-se aos nossos olhos...

Na Índia, onde há oportunidade e demanda, há empreendedores, como no Brasil. Seria como uma mãe que dá um jeitinho para tudo. Há o barbeiro que com uma garrafa de água e uma cadeira ambulante, trabalha no meu da rua, o vendedor de barco em pleno Rio Ganges, e também o vendedor de pauzinhos que funciona como escova de dente.

Conclui que a Índia conserva sua individualidade e sua cultura num mundo globalizado, e a espiritualidade, assim como a sensualidade, estão presentes em tudo. Mesmo que você vá para a Índia e não fique meditando ou praticando yoga em algum templo, será tocado pela espiritualidade, pelos detalhes, pelas cores, pela alegria, e principalmente, pela feminilidade. ADOREI!

Colunista do Vila Sucesso e Vila Equilíbrio, Leila Navarro é palestrante motivacional e comportamental, além de ser empresária e Presidente do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Capital Humano.

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