Somos tão bonitas quanto pensamos?

Somos tão bonitas quanto pensamos

Foto: Divulgação

Não me leve a mal. Eu sou a primeira a dizer o que as minhas amigas querem ouvir. Mas essa pressão toda por autoestima sinceramente me dá nos nervos.

É muita exigência. Temos que estar bem com a gente mesma todo dia, todos os dias. Temos que nos olhar no espelho e nos convencer por A + B que sim, somos extremamente bonitas, com todas as nossas verrugas e pelancas.

Essa Ditadura da Autoestima cansa. Porque beleza virou prêmio, atestado de competência. Por ser mãe dedicada, profissional respeitada, boa amiga, eu recebo o direito - aliás, o dever - de também me achar uma mulher lindíssima fisicamente.

O valor que dou para mim mesma é medido pelo valor que dou à minha beleza física. Que coisa, né?

E se eu for realmente maravilhosa, mas parecida com a Luiza Brunet virada do avesso? Por que a beleza tem que ser o nosso selo de qualidade? Por que eu tenho que me achar bonita para estar bem comigo mesma?

Enquanto isso, trocando tapas e beijos com a ditadura da autoestima, está a ditadura da beleza. Não dá pra negar, ela está aí.

Vencendo ou não essa batalha pela beleza, somos sempre, sempre, os gladiadores escravos dessa ditadura. Sem outra opção a não ser continuar lutando sem um propósito digno. E pior: em prol do entretenimento alheio (mas a ditadura da autoestima te convenceu de que é só para você mesma, ok?).

(pausa dramática)

Bom, paralelo a tudo, tudo isso, ainda começa agora o Projeto Verão 2013/14.

Ah, minha santa progressiva.

Projeto Verão é obter a medalha de honra ao mérito: conquistar o direito de usar um biquíni. Vai negar.

Mas tem gente que levou anos para conquistar a barriguinha de satisfação de vencer uma panela de brigadeiro para relaxar e se divertir. E a ditadura da autoestima me diz que essa barriguinha não é problema. Mesmo. E também me diz que eu posso e devo usar um biquíni.

Chorei.

Mas quem disse que eu consigo ficar tranquila desfilando de biquíni ao lado das finalistas do Projeto Verão me olhando de cima a baixo? Não, moça, você não entendeu. Você DEVE usar biquíni. Porque se você usa uma camiseta por cima, ou, sei lá, um maiô, você não tem amor próprio. Como assim você tem vergonha do seu corpo? Você é uma vergonha para o seu gênero. Shame on you.

Ah, autoestima, me dá um tempo. Deixa eu ficar na minha. Sem drama, biquíni não foi desenhado para todo tipo de corpo. Não é nada diferente de eu não querer pintar o cabelo de loiro claro se o meu tom de pele não combinar. Simples e sem drama assim.

Afinal de contas, por que eu preciso ser bonita (ditadura da beleza)? E por que eu preciso me achar bonita (ditadura da autoestima) para ficar bem comigo mesma?

Porque eu não posso ser uma não-bonita ("feia" é negativo) assumidíssima? E me concentrar no que eu realmente me sobressaio?

Algo do tipo, "não sou bonita e canto no chuveiro, beijos". E (ao invés de "mas") tem mais: "meus filhos me adoram, me formei com mérito, e eu encarno A Fúria quando jogo air-hockey".

Ser não-bonita também pode fazer parte da gente. Nada temos a temer. Não somos diferentes das capas de revistas. Somos mulheres competindo em modalidades diferentes. A medalha de ouro do nado sincronizado é tão ouro quanto a do salto ornamental, não é? Adele deu o grito final: "não sou uma modelo, sou uma cantora".

Vamos lutar para subir ao pódio dentro daquilo que somos realmente competitivas. Vamos mostrar o melhor que o nosso melhor pode oferecer. Podemos ir muito, muito mais longe do que nossa imaginação e planos nos revelam, independente da nossa beleza.

Ser uma não-bonita assumida. Durma com esse barulho.


Marianna Greca é publicitária e nerd assumida. Social Media, webwriter, tradutora e desenhista compulsiva. Tão louca por Internet quanto pela Ilíada. Acredita que assumir a maternidade do mundo é o melhor caminho para a felicidade.

Comente