Relações entre a humanidade e o meio ambiente

Rita Mendonça  arquivo pessoal

Rita Mendonça / arquivo pessoal

Aquecimento global, poluição, sustentabilidade... Muitos são os temas relacionados ao meio ambiente que estão em foco nos dias de hoje e a maioria das pessoas continua tratando esses assuntos como se fossem distantes e não atingissem a si próprias ou às suas famílias.

Mas há também aqueles que buscam saídas para amenizar tantos problemas na relação entre a humanidade e a natureza. Rita Mendonça, bióloga e coordenadora do Instituto Romã e do Sharing Nature Worldwide no Brasil, é um bom exemplo disso. Ela conta que gosta de temas relacionados ao meio ambiente desde pequena, quando lia histórias de crianças em fazendas. Mais tarde, decidiu cursar Biologia na faculdade. "Eu não entendia porque nós humanos não tínhamos a capacidade de transformar a natureza de forma harmônica", lembra Rita.

A busca por respostas levou a bióloga a fazer especialização também em Biologia e trabalhar em estudos de impacto ambiental e ecologia humana. Mais tarde, ela teve contato com um livro do professor Joseph Cornell, fundador do grupo Sharing Nature - ou "Vivências com a Natureza" -, e se identificou com a proposta da entidade. "A metodologia do Sharing Nature faz as pessoas irem perdendo o olhar de quem está fora da natureza e perceberem que fazem parte dela", afirma Rita. Ela teve a oportunidade de conhecer Joseph em 1996 e acabou sendo convidada para coordenar o Sharing Nature aqui no Brasil.

A parceria deu certo e Rita resolveu criar uma entidade para administrar melhor esses trabalhos no país. Foi ai que surgiu o Instituto Romã, que trabalha com a mesma metodologia do Sharing Nature - o chamado "Aprendizado Sequencial". "Nosso objetivo é desenvolver projetos específicos para a necessidade de cada pessoa ou comunidade", explica a bióloga. Ela citou uma ação contra a violência realizada no bairro de Perus, na cidade de São Paulo. O projeto foi adaptado à realidade do lugar e teve como centro o Parque Anhanguera. Ali foram ministrados cursos de capacitação em educação ao ar livre para jovens e adultos.

Rita acredita que só é possível conciliar desejos e consciência ambiental "quando existe a oportunidade de desenvolver com as pessoas um aprofundamento dessa consciência e refletir a respeito". De acordo com ela, o importante é que cada um tome decisões conscientes, analisando prós e contras de suas atitudes. Consumir demais e só por impulso é tão grave quanto jogar lixo nas ruas, já que o consumo exagerado produz muito lixo e também polui o ambiente. É preciso olhar o produto na prateleira do supermercado e pensar: "para que eu quero isso?". Como diz Rita, "o automatismo do consumo não atende aos desejos".

Para contagiar as pessoas ao nosso redor com a ideia de um consumo mais responsável, não adianta falar e falar. O método mais eficaz é fazer. A bióloga conta que começou a carregar uma caneca na bolsa para não precisar consumir copos plásticos sempre que fosse beber alguma coisa. Mas a motivação não partiu dela, e sim de uma amiga que fazia isso. "Meu professor da faculdade sempre falava para a gente levar uma canequinha na bolsa, mas eu nunca tinha feito aquilo. O exemplo da minha amiga valeu mais que mil palavras".

Rita agora sonha em diversificar o grupo com que trabalha. "Gostaria de trabalhar com públicos mais complexos, mais difíceis, como empresários e executivos, que têm um dia-a-dia corrido e pouca flexibilidade para temas relacionados à natureza", fala.


Para ela, ter uma vida em harmonia com a natureza não significa abrir mão do conforto e da vida urbana, mas o que tem de ser mudado são as relações de consumo. "Precisamos descobrir novas maneiras de consumir e nos relacionar, que sejam menos prejudiciais ao meio ambiente. Dependemos disso para sobreviver, pois necessitamos dos recursos naturais para tudo", alerta. Para conhecer melhor o trabalho de Rita basta acessar: www.institutoroma.com.br e www.sharingnature.com.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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