Por que mulheres competem entre si?

Mulheres em guerra

Foto/Divulgação TV Globo

Seja honesta: você já sentiu uma pontinha de inveja daquela outra mulher que circulou lindíssima na festa, daquela que tem um bumbum mais empinadinho na academia, da dona do cabelo mais bonito e saudável do salão, enfim. Mulher é assim, é competitiva.

Esta rivalidade existe, não dá para negar. Até assumimos que nos arrumamos pensando nas outras mulheres que estarão no evento e não em estarmos bonitas para nosso namorado, marido, parceiro... Mas de onde vem tanta competição? Para a antropóloga Mirian Goldenberg, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), autora do livro "Toda Mulher é meio Leila Diniz (Editora BestBolso), mulheres não foram educadas para serem competitivas, muito pelo contrário.

A antropóloga acredita que fomos educadas não para competir ou lutar, mas para sermos mais dóceis e submissas do que os homens. "Temos muito mais dificuldade para dizer ‘não’ e para defender nossas ideias. Somos socializadas para não falar em público e não brigar", afirma Mirian Goldenberg. Mas quando o assunto é mulher vs mulher sabemos competir como ninguém.

Esta eterna disputa está presente em todos os setores da nossa vida. Competimos também no trabalho - quem é mais competente, quem tem as melhores ideias, quem é mais popular entre os colegas, quem lidera a equipe mais produtiva etc.. Tem disputa no salão (quem tem as unhas, os cabelos e a sobrancelhas mais bonitas). Inevitável, disputamos até entre amigas.

Para a antropóloga toda esta rivalidade tem explicação. E ela não é nada boa. "As mulheres são muito mais inseguras e dependentes do olhar e da opinião dos outros. Acho que aí aparece a disputa: pela atenção e aprovação do outro, para sentirmos que somos únicas e especiais e não mais uma no meio de tantas outras", destaca Mirian. Esta competitividade acontece também por medo de perder a atenção e o amor dos demais.


Buscamos o reconhecimento e a aprovação do outro em todas as áreas de nossa vida. No amor, na vida social, no sexo... Nada parece ficar de fora. "Daí o desejo de ser mais especial do que todas as outras", aponta a professora.

O resultado não é outro senão uma insegurança cada vez maior e também a sensação de solidão e de não poder confiar nas outras mulheres.

Será que realmente precisamos disso?

Por Bianca de Souza (MBPress)

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