Obsessão pela magreza

Obsessão pela magreza  o que isso pode acarretar

A questão sobre a idealizada beleza do corpo magro influencia muitos aspectos na vida de cada um. Na mídia, as mulheres consideradas mais atraentes pela maioria das pessoas acabam se tornando um padrão de referência, de sucesso e um ideal de perfeição.

No entanto, a imagem do belo pode ser profundamente perturbadora para algumas pessoas que se tornam dependentes da busca por esse modelo. É o que afirma a psicóloga Lúcia Cassar.

"Muitas mulheres, entre elas adolescentes, acreditam que adquirindo o mesmo padrão de magreza, serão respeitadas, amadas ou terão sucesso e acabam transformando isso em obsessão", afirma a psicóloga.

Dessa forma, a pessoa freqüentemente decepcionada por não conseguir corresponder ao seu ideal, inicia um processo de exclusão da vida social.

"Insatisfeitas consigo mesmas, elas mantêm uma constante autovigilância e modificam a relação que mantém com o corpo sobre o qual projetam e condensam todas as suas insatisfações e frustrações" - revela Lúcia. "Acreditam que essas falhas - braço gordo ou rosto mais cheio, por exemplo - lhes trazem uma série de dificuldades na vida", acrescenta.

Não há como esquecer esse assunto, ou seja, o impulso para falar de dietas ou do próprio corpo em tom depreciativo. No discurso repetitivo cotidiano há sempre um conflito psicológico.

Essa angústia frente ao emagrecimento, segundo a psicóloga, deve ser considerada como uma patologia.

"As soluções temporárias, com o uso de remédios, fórmulas emagrecedoras e dietas milagrosas ‘para entrar naquele vestido’ possibilitam que em pouco tempo sejam readquiridos tanto o peso corporal, como também a sensação de fracasso e insatisfação pessoal após o esforço empregado", revela.

Como conseqüência, diversos prejuízos surgem na saúde, como: perda de cabelo, enfraquecimento de unhas e, muitas vezes, anemia.

Socialmente, a pessoa começa a se distanciar dos amigos e do trabalho, por conta da desmotivação geral e uma possível depressão.

"O funcionamento emocional e psicológico do paciente é um aspecto crucial no tratamento. As mulheres estão há muitos anos lutando contra a balança. Agora lutam contra a imagem que vêem no espelho", explica Lúcia.

Ela afirma que essas mulheres vivem permanentemente frente ao espelho numa atitude autocentrada e esvaziada de trocas, de relações. A pessoa em busca desse ideal inalcançável perde a capacidade de admirar os outros com suas diferenças.


E mesmo que alcançasse o corpo desejado, essa pessoa estaria satisfeita e se sentiria realmente feliz?

"Felicidade é experiência do corpo ‘interno’, e não do corpo construído ou maltratado por dietas radicais, anfetaminas ou ‘lipoesculturas’. O que se pretende alcançar é uma identidade na ilusão de uma imagem magra e perfeita, com a enganadora promessa de felicidade", acredita a profissional.

Por Jessica Moraes

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