O que podemos aprender com a derrotas do Brasil na Copa?

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Foto - Shuttersctock

Nem sempre a vida é feita de sucesso. Podemos tirar de exemplo a Copa do Mundo de 2014, no fatídico 7 X 1 da Alemanha contra o Brasil, seleção conhecida pelo futebol e arte, regado a surpresas positivas e otimismo. Após a derrota, muitos torcedores enfrentaram uma onda de saqueamentos, violência e até queima de bandeira (considerada crime no artigo 31, da Lei número 5.700/71). Mesmo com reações negativas e uma nação inteira frustrada, podemos aprender coisas boas com a derrota brasileira em jogo.

Perder um emprego, não conseguir passar em um concurso, não conseguir tocar um negócio próprio... E quem também nunca passou por um momento de falha? Luize Garé, especialista em psicologia do Hospital das Clínicas de São Paulo, explica que toda crise (derrota, falha ou erro) é uma oportunidade de crescimento. "O crescimento se dá quando conseguimos voltar o olhar para o que precisa ser feito para melhorar a performance. É importante enxergar os erros, pois desta forma é possível rever as próprias atitudes", explica.

Não, não é nada fácil aceitar a derrota ou enxergar facilmente os novos caminhos que um erro pode trazer. Mas - por mais clichê que pareça -, o sucesso pode vir de uma derrota. Muitos ícones conquistaram o sucesso a partir do erro. Albert Einstein, por exemplo, criou a Teoria da Relatividade porque não se adequava aos métodos tradicionais da física e matemática - além disso, o gênio só conseguiu falar a própria língua com fluência aos 12 anos! Steve Jobs e Walt Disney também são exemplos de pessoas que fracassaram no início, mas depois transformaram o erro em um sucesso.

Antes de aceitar a derrota, também saiba que enxergar o erro não é viver pelo fracasso. Pelo contrário! "Ficar preso somente aos aspectos negativos e aos erros cometidos no passado, pode deixar as pessoas inertes", completa Luize. Por isso, antes que bata aquela deprê, siga em frente! Analise mesmo o que aconteceu, se precisar chorar, chore, ligue para um amigo ou namorado. Jogue para fora o que entristecesse, mas tente não culpar o universo pela falha.

"Perder nos ensina que, por mais que façamos a nossa parte, não temos o controle da vida. Possibilita criar recursos para lidar com as frustrações. E, aprendendo que se frustrar faz parte da vida, a probabilidade de nós desesperarmos diante de novas perdas diminui", explica a psicóloga. Observe os momentos que levaram a errar e busque encontrar soluções a partir disso, ou simplesmente siga em frente! A vida é muito boa para digerir coisas ruins o tempo inteiro.

A especialista explica que, quando falhamos em algum aspecto significativo para a própria vida (relacionamento, trabalho, etc), entramos em um estado chamado de "luto". Isso significa que a pessoa analisa e digere tudo o que aconteceu para que o fim tenha saído de um jeito inesperável. "'Viver a perda' é importante para podermos aceitar e elaborar o que perdemos. Desta forma, fica mais fácil se apegar às possibilidades de mudanças positivas", completa Luize.


Ah! Só tome cuidado com os exageros. Se abraçar demais a deprê pode fazer mal, ver tudo sempre positivamente também pode gerar problemas. "Ser sempre positivo pode ser prejudicial, caso a pessoa não se prepare para a possibilidade de se frustrar. É fundamental buscarmos o equilíbrio entre o positivismo e a consciência de que as coisas podem acontecer diferentemente do que planejamos. A derrota do Brasil pode trazer esta sabedoria: rever os erros do passado, porém acreditando em novas vitórias", finaliza Luize.

Por Caroline Sarmento

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