Nina Cappello: conheça a militante do Movimento Passe Livre

Nina Cappello conheça a militante do Movimento Pas

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Nos últimos dias, em todo o Brasil, foram feitas manifestações para reivindicar o aumento dos vinte centavos na tarifa dos transportes públicos que acabaram envolvendo outros aspectos críticos como também saúde, educação e corrupção.

Estudiosos calculam que cerca de 37 milhões de brasileiros são excluídos do sistema de transporte por não ter como pagar. Este número não surgiu de uma hora para a outra: de 20 em 20 centavos o transporte se tornou, de acordo com estudos do IBGE, o terceiro maior gasto da família brasileira, retirando da população o direito de se locomover.

O Movimento Passe Livre (MPL) é uma ação social autônoma, apartidária, horizontal e independente, que luta por melhorias do transporte público. Com fundação em 2005, em Porto Alegre, as pessoas que integram a iniciativa buscam autonomia, independência e tarifa zero para as pessoas.

A estudante de Direito da USP, Nina Cappello, de 23 anos, é uma das militantes que está na linha de frente do MPL e defende que o transporte público deve ter "tarifa zero", ou seja, a jovem acredita que, assim como o governo utiliza o dinheiro para outras coisas, deveriam investir também no direito do cidadão de se locomover gratuitamente.

Na segunda-feira (17) Nina esteve no programa "Roda Viva", da TV Cultura, para falar sobre os protestos contra o aumento da tarifa de ônibus e a situação do transporte público no país. A jovem afirma que o MPL tem um objetivo mais do que claro: a luta contra o aumento das passagens. Ela ainda conta que, se o governo não baixar a tarifa, os manifestantes vão continuar nas ruas.

Nina disse acreditar que o movimento ganhou força e que tem poder para mudar o valor da tarifa, assim como outros fatores referentes ao transporte público. Nas primeiras mobilizações, o Passe Livre somava cerca de 10 mil pessoas e nesta última segunda-feira levou mais de 100 mil pessoas às ruas da capital paulista.

O analista de desenvolvimento de produtos digitais e primo de Nina, João Capello, de 24 anos, diz que a jovem sempre gostou de assuntos relacionados a questões sociais e políticas e também participou da "Revolta do Buzu". "Ela está sempre envolvida em assembléias, reuniões e movimentos e é muito engajada na causa. Luta e consegue empolgar facilmente qualquer um a também querer participar e lutar por seus direitos."

E ainda completa: "Acho importante hoje em nosso país, com uma juventude tão desinteressada e sem fé em questões políticas, termos alguém da nossa idade que mostre que é importante sim tomarmos a frente e lutarmos por nossos direitos. Ela é um grande orgulho na nossa família por ter essa sede de mudança."

O estudante de Jornalismo Michael Taguchi (20), que tem frequentado as manifestações, concorda com o ponto de vista da militante: "Vemos os políticos gastando bilhões construindo estádios, fazendo preparativos para a Copa do Mundo e não vemos o mesmo empenho para melhorar o transporte público. O certo é diminuir a tarifa e aumentar a qualidade."


E completa: "Quem depende do transporte público diariamente para ir à faculdade, trabalhar ou por lazer sabe que as condições precárias não são solucionadas e mesmo assim ainda aumentam o preço para R$ 3,20. O Brasil tem que ir às ruas para exigir o que, de fato, é nosso por direito."

Por Thaís Santos (MBPress)

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