Mulheres e baratas - uma eterna relação de ódio

Mulheres e baratas  uma eterna relação de ódio

Definitivamente, as mulheres têm medo de baratas. E, com certeza, as baratas têm medo das mulheres. A cena de seu encontro tem algumas variações, mas, em geral, a barata aparece, a mulher grita e a barata sai correndo. São verdadeiros inimigos naturais. Mas, o que explica tamanho pavor de um bicho tão pequeno (e asqueroso, é claro)?

Para o jornalista Xico Sá, o motivo principal do medo da mulherada está relacionado à sensação de nojo. "Para Freud, poderia estar ligado a transtornos sexuais. Mas, creio que é algo bem mais simples: é um bicho nojento e medonho." O jornalista até acha que as mulheres têm certa razão, afinal, a barata é tão asquerosa e resistente que, segundo estudos, é capaz de sobreviver a uma guerra atômica. "Dos medos femininos, este é o mais razoável. A barata é o ‘cafa’ do mundo dos invertebrados", destaca.

E não é que a analogia de Xico é perfeita! Afinal, assim como os cafajestes de plantão, as baratas fazem as mulheres gritarem, chorarem e buscarem ajuda desesperadamente. A personal training Luciana Pereira, que é atormentada por baratas frequentemente, tem uma história que ilustra bem essa semelhança.

Sozinha em casa e animada para sair com as amigas em um sábado à noite, Luciana subiu as escadas de sua casa em direção ao banheiro para tomar uma ducha e, então, preparar-se para a balada. Mas, inesperadamente, avistou uma barata logo acima da porta do banheiro. A primeira atitude foi gritar - "Uma barata!" e a segunda, chorar. "Quero deixar bem claro que eu chorei porque estava com raiva de mim, de não saber lidar com aquela situação", ressalta a personal training. Ah... está bem, Lu!

Então, ela resolveu ligar para o homem da casa (seu pai) para saber se ele iria demorar e verificar se poderia contar com a sua ajuda. Infelizmente, a festa onde ele estava ia longe. Logo, desistiu da balada e foi para a sala curtir o sábado na frente da televisão. Mas sua noite não poderia ser tão perfeita! De repente, sua grande inimiga, a barata, apareceu voando e deu um rasante na sala, resolvendo se alojar na porta de saída da casa.

Desesperada, ela decidiu que precisava ter coragem para matá-la. Então, com um rodo, tentou atingi-la, mas esperta e ágil, a barata desceu pela porta e passou por baixo, indo embora tranquilamente. "No final, eu não sai e fui dormir com a cara inchada de tanto chorar", conta Luciana, morrendo de ódio de sua inimiga mortal.

Olha só a capacidade estratégica das baratas. Elas são realmente diabólicas! No entanto, essas situações podem favorecer alguém nessa história toda: os homens. "Em alguns momentos, as baratas já me fizeram um bem danado. Em plena discussão de relação, a velha D.R., aparecia uma e, em vez do arranca-rabo das cobranças, eu virava herói por uns minutos", relata o jornalista, que já exterminou centenas de baratas para agradar as suas namoradas.

Contudo, existem estudos que explicam essa vantagem dos homens. Pesquisas realizadas pelo Ambulatório de Ansiedade do Hospital das Clínicas de São Paulo mostram que as mulheres têm duas vezes mais transtornos fóbico-ansiosos do que os homens. E, mesmo a fobia surgindo de forma inconsciente, seria, no mínimo, estranho um marmanjo sair correndo por causa de uma barata, dessa forma imposições sociais também têm influência. Ainda considerando o aspecto psicológico, pode-se dizer que a barata é uma intrusa dentro da casa, que, por definição, é um espaço feminino.

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Enfim, explicações não faltam para essa relação de ódio entre mulheres e baratas. Para não serem pegas desprevenidas, é melhor terem sempre a mãos "armas" eficientes, como chinelos, vassouras, rodos, inseticidas etc. "Mas, se o medo continuar, me chama que mato com gosto", sugere Xico.

Por Fernanda Oliveira (MBPress)

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