Make a Wish: voluntários se dedicam a realizar sonhos

Make a Wish

Foto: Reprodução/ Make a Wish Brasil

Quem não se emociona ao ver uma criança sorrir depois de realizar um sonho? Gestos como esses, felizmente, não são tão difíceis de encontrar. Tem muita gente por aí que não mede esforços para materializar o que os pequenos às vezes acham que pode ser impossível.

Um bom exemplo é o trabalho dos voluntários da Make a Wish Brasil. Fundada em 2008, a associação já realizou mais de 550 desejos em todo o país. Um grupo de 300 pessoas voluntárias arregaçam as mangas para ver uma criança feliz.

Funciona assim: a criança encaminha a carta e fala do sonho dela. E um voluntário da Make a Wish vai até ela para apurar a veracidade das informações. Afinal de contas, o sonho precisa ser da própria criança e não dos pais ou da irmã dela. "Basta ver o brilho nos olhos delas para a gente perceber a veracidade da carta", conta Amanda Duarte, voluntária.

E completa: "Às vezes a doença da criança está num estágio tão avançado que ela não consegue sonhar ou acreditar que ele pode se tornar realidade. Por meio desse gesto de concretização de sonhos, a gente proporciona momentos de alegria e prazer para esses pequenos."

O Vila Mulher selecionou três desejos que foram realizados pela Make a Wish Brasil. Veja que legal:

Ter um vestido de Cinderela.

Ana Beatriz, de cinco anos, de Jundiaí, sofria de leucemia e tinha o desejo de se vestir como a Cinderela. Em meados de 2013, ela recebeu a visita de voluntariados da Make a Wish. Eram um rei e duas fadas para uma encenação. "Ana ficou muito empolgada quando nos viu. Abriu um largo sorriso e entrou realmente na fantasia, acreditando que nós éramos fadas", conta Mariana, que participou da entrevista inicial e da realização do sonho.

O pai, a mãe e as primas de Ana Beatriz participaram da peça, conduzida pelo voluntário vestido de Rei. A mãe fez a madrasta e a cada gargalhada que ela dava, Ana Beatriz chorava de tanto rir. "Quando chegou a hora do chá da tarde (fizemos uma adaptação na história), pedimos que ela fechasse os olhos. Colocamos a caixa nas mãos dela e quando ela a abriu e viu o vestido, olhou para a mãe e abriu um enorme sorriso", lembra Mariana. O traje doado era completo, com sapatilha, varinha e coroa. Ao final da história todos desfrutaram de um chá da tarde, com salgadinhos, refrigerante e um bolo de brigadeiro com o rosto da Cinderela.

"O trabalho voluntário me traz paz de espírito. E, no caso da Make a Wish, eu sinto que o intuito não é apenas transformar a vida da criança, mas dar a nós, voluntários, a chance de voltar a ser criança, de realizar nossos sonhos. Qual mulher não quer brincar de princesa aos 30 anos de idade? É um prazer que só quem realiza um sonho consegue entender", avalia Mariana.

Conhecer o mar

Jaíne, de 14 anos, sofria de um câncer chamado osteossarcoma e, em 2008, tinha o desejo de conhecer o mar. Este foi o primeiro sonho realizado pela Make a Wish Brasil. "Éramos uns oito voluntários e estávamos muito ansiosos. Planejamos levá-la de helicóptero, para que pudesse ver o mar de cima, mas choveu no dia e fomos de carro para o Guarujá", conta Roberta Garcia, uma das voluntárias. A irmã e a mãe de Jaíne acompanharam o passeio.

A jovem foi levada para o Hotel Casagrande, onde se trocou para entrar na água. Roberta conta que ela estava muito debilitada e usava sempre a cadeira de rodas. Sentia muitas dores, tanto que uma enfermeira foi incluída na equipe para administrar o remédio. "Ela tinha muita garra. Lembro-me perfeitamente da carinha dela quando chegamos à praia. Ela estava louca para entrar no mar. Foi emocionante", conta Roberta.

"Tínhamos três fotógrafos no dia, mais as câmeras dos voluntários. Reunimos mais de 2000 fotos!".

Roberta diz que realizar desejos é uma das melhores experiências da sua vida. "A Make a Wish me tornou uma fada. Eu ajudo a realizar sonhos! Isso é mágico, é um tipo de ‘poder’, entende?", comenta ela que, pelas contas, acredita que já realizou mais de 100 sonhos. "Eu já fui diretora de sonhos! Pode ter um cargo mais lindo que esse? Acredito que sou um ser humano melhor hoje em dia. Cada sonho é uma experiência nova. Os novos voluntários sempre me perguntam se eu choro. Eu digo que choro ainda como se fosse o primeiro, mas é de alegria, de felicidade, de missão cumprida!".

Ter uma festa de 15 anos

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Foto: Reprodução/ Make a Wish Brasil

A jovem Talita, portadora do tumor de Ewing (câncer nos ossos), sonhava em fazer sua festa de debutante no Buffet Beat Club, em São Paulo. Cada vez que passava em frente ao local, ela imaginava que as festas promovidas lá deveriam ser muito legais e, assim, idealizava sua festa de 15 anos.

Ela se arrumaria num salão de beleza e chegaria ao Buffet em uma limousine rodeada de amigas. O salão estaria decorado com fotos dela e um brasão feito especialmente para a data estaria presente nas lembrancinhas e mesas. Talita recepcionaria os amigos usando um vestido rosa, dançaria a valsa em um vestido longo tomara-que-caia e depois usaria um vestido dourado curtinho e moderno para curtir a pista de dança.

Tudo isso foi concretizado em maio de 2013. "A gente nunca tinha realizado uma festa de 15 anos. E como ela foi bem exigente em cada detalhe, nos esforçamos para realizar tudo do jeitinho que ela queria. A dona do Buffet doou o espaço, o DJ e a comida", conta a voluntária Amanda Duarte.

Como Talita estava afastada da escola por causa da doença, tinha em mente apenas as 15 meninas, mas não tinha nenhum menino para convidar para formar os pares da dança. Foi aí que os voluntários da Make a Wish conseguiram 16 Cadetes da Polícia Militar de São Paulo para a surpresa de Talita. "A festa ajudou a família da jovem a se reaproximar. Os pais dela disseram que a iniciativa ajudou a devolver a alegria para a casa de Talita. Inclusive um irmão dela, que mora fora de São Paulo, estava presente", lembra Amanda.


Sobre o trabalho voluntário, Amanda diz: "Iniciativas como essas me ensinaram a valorizar cada instante da minha vida e as pessoas que estão por perto. A gente se coloca no lugar do outro e percebe que as dificuldades estão mais na nossa mente do que na realidade. Por meio do trabalho voluntário é possível proporcionar momentos de felicidade para outras pessoas."

* Serviço: Make a Wish Brasil

Por Juliana Falcão (MBPress)

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