Kristie Hanbury - a jogadora de pólo que ficou tetraplégica e voltou a andar

Kristie Hanbury  exemplo de superação

Kristie Hanbury com a família. Foto: Reprodução Facebook

Aos 17 anos, Kristie sofreu um trauma que mudou completamente a sua vida. O portão de um shopping atingiu sua cabeça provocando um edema e fraturando a terceira e a quinta vértebra de sua coluna. A lesão a deixou tetraplégica. Na época, em 1986, a modelo já tinha uma filha, com pouco mais de um ano de idade. Após os primeiros socorros e o diagnóstico, Kristie recebeu a notícia de que nunca mais voltaria a andar. "Eu nunca aceitei isso. Sempre disse que morreria tentando voltar a caminhar", disse ela.

Kristie que já havia sido atleta, jogadora de vôlei e judoca, hoje está recuperada e é jogadora de pólo. Organiza jogos beneficentes em prol de crianças carentes e pessoas com algum tipo de limitação física. Como sequela ficou apenas a ausência de sensibilidade na perna esquerda.

Pouco tempo após a fatalidade, a brasileira embarcou para os Estados Unidos em busca de tratamento. Nos seis primeiros meses ainda não conseguia realizar nenhum movimento, nem mesmo tinha sensibilidade no corpo. Ela lembra que recebeu muito apoio dos colegas e amigos americanos. "Dois anos depois do acidente passei a receber ainda mais convites para trabalhar, como era modelo fotográfica conseguia realizar alguns ensaios", conta Kristie Hanbury.

Ao ser questionada sobre qual teria sido o momento mais complexo da sua recuperação, Kristie disse que o período mais difícil é relativo, que poderia dizer que foi um inferno do início ao fim, e que também conheceu o melhor lado das pessoas. "No início, na hora do acidente e alguns meses depois, é pavoroso. A única coisa que você quer é morrer, você tem que aceitar que se tornou outra pessoa", afirma ela.

Do ponto de vista físico, Kristie ressalta a fase de transição entre começar a se movimentar, andar com muita dificuldade e andar sem ajuda. "Imagina você ter que fazer um esforço imenso para ficar de pé, suar e sentir dores absurdas para andar de forma esquisita menos de 15 metros. Todo mundo te olha e tenta imaginar o que você tem para estar naquela situação", observa a atleta.

Kristie Hanbury  exemplo de superação

Hoje a jogadora de pólo tem a intenção de escrever um livro e fazer um programa de televisão voltado para o público feminino. Foto: Reprodução Facebook

Ao comparar uma pessoa que anda com muita dificuldade com um cadeirante, aquele que não consegue se locomover usando as próprias pernas, ela diz: "Usar a cadeira de rodas é rápido e as pessoas te ajudam. Você não se sente tanto incômodo, absurdamente é mais fácil e é aí que muitas pessoas desistem, já quem ninguém te dá garantias de que aquele esforço todo vai funcionar, é mais fácil você sentar e esperar alguém te empurrar" afirma ela. "Eu não recomendo a ninguém nem tentar nem desistir. Às vezes, o custo é muito caro", completa.

Os resultados do tratamento começaram a surgir aos poucos, sempre com muita fisioterapia e exercícios. "Chegava a cumprir 16 horas de atividade por dia", lembra Kristie. "Conforme fui recuperando o movimento, fui recebendo mais convites para posar para campanhas. Fui para no Japão a trabalho. Lá me casei e tive mais três filhos. Quando minha filha mais nova nasceu, eu deixei de trabalhar como modelo", conta. A brasileira ressaltou que seu último filho nasceu em Hong Kong. Nenhum deles mora no Brasil e, atualmente, Kristie está divorciada.


Programa de TV

Hoje a jogadora de pólo tem a intenção de escrever um livro e fazer um programa de televisão voltado para o público feminino. "Quero um programa para mulheres de mais de 50 anos, que se divorciaram, os filhos cresceram e elas ficaram sozinhas. Uma atração em que possa ensiná-las a fazer algo que nunca fizeram antes, como trocar uma torneira ou arrumar o encanamento", revela.

Kristie está se organizando e jogará um torneio internacional de pólo, no dia 29 de setembro, no Mato Grosso. Ela conta: "Virão pessoas da Índia, dos Estados Unidos, de Cingapura etc. O torneio é em prol das crianças com câncer. Tenho a preocupação de que tudo o que eu faça seja a favor de uma boa causa". E brinca: "Dizem que eu sou uma excelente amazonas, não acredito nisso. Acho que as pessoas só dizem que sou ótima porque já fui tetraplégica."

Por Bianca de Souza (MBPress)

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