Femen: protestando com o corpo

Femen protestando com o corpo

Foto/Reprodução Facbeook

Elas começaram em 2008, defendendo questões relacionadas à exploração e ao abuso sexual feminino; mas com dificuldade de chamar atenção para a causa, optaram por uma estratégia infalível: tirar a roupa. Depois de encontrarem na nudez um instrumento de protesto, as mulheres do FEMEN - movimento feminista ucraniano - finalmente conseguiram conquistar as manchetes dos jornais e ecoar mídia afora.

Hoje, as cerca de 300 mulheres do movimento se manifestam contra questões ambientais e políticas, como o uso de energia nuclear e o apedrejamento da iraniana Sakineh, que teria traído seu marido. Porém, entre todos os membros do grupo - que tem garotas com uma média de 22 anos de idade, além de uma senhora de 63 anos - apenas 30 fazem o topless. Lideradas pela fundadora do movimento, a atriz de 27 anos Anna Hutsol, elas são chamadas pelas outras de guerreiras.

De acordo com o site do FEMEN o grupo tem, além de tudo, a pretensão de se tornar a maior e mais influente organização feminista da Europa. Mas o objetivo parece ainda muito distante, já que eles não conseguiram nem se expandir para além da Ucrânia, sobretudo da capital Kiev, onde fica a sede do FEMEN.

Em abril de 2010, as mulheres do grupo manifestaram interesse em fazer na organização um partido político a fim de tentar conquistar cadeiras nas próximas eleições parlamentares ucranianas, que devem acontecer em outubro de 2012.

Apesar de tantas ambições, parece que o que acaba chamando mais atenção da mídia internacional são as garotas e a maneira que elas encontraram para protestar. Diante da nudez polêmica, a impressão que se tem é de que as causas defendidas pelo FEMEN migraram para um plano secundário. Mesmo assim, no site da organização há uma lista de 20 itens distribuídos entre metas, ações importantes e programas.

Nessa lista consta, por exemplo, o objetivo de informar a sociedade dos problemas e questões das mulheres ucranianas. Entre as ações se destaca uma carta enviada aos ministros do país para apelar contra o turismo sexual. O objetivo é fazer com que as autoridades governamentais imponham sanções em nível legislativo ao tema no país. Além disso, há programas como o "The Green Mile", que visa abolir a prisão perpétua para mulheres na Ucrânia.

Além da visibilidade ligeiramente distorcida na mídia, o FEMEN - que diz se basear na autoexpressão civil incentivada pela coragem, criatividade e choque - tem enfrentado outro problema significativo. No final de abril um grupo chamado RU FEMEN, de origem Russa, fez uma demonstração em Moscou e acabou sendo denunciado pelo movimento ucraniano como uma falsa versão nascida da organização. Em seguida, o FEMEN acusou o partido "United Russia", liderado por Vladimin Putin, de ter inventado e construído o movimento infundado.


Em diversas páginas na internet um protesto realizado no dia 28 de abril contra a guerra na Líbia é atribuído ao RU-FEMEN. Com o slogan "Faça amor, não guerra", algumas garotas se manifestaram em frente à Comissão Europeia em Moscou, afirmando que foram os líderes europeus que começaram a guerra. Diante de tamanha confusão entre os dois movimentos, espera-se uma desambiguação para que o FEMEN não seja afetado: "Nossa missão é criar condições para que as jovens mulheres possam juntar-se a um movimento social com a ideia geral de suporte mútuo e responsabilidade social, ajudando a revelar os talentos de cada membro do movimento", define o grupo.

Por Giulia Lanzuolo (MBPress)

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