Do avesso

Do avesso

Tem gente que nasce virada do avesso.

My heroes.

Eles são a prova de que tudo na vida é apenas uma questão de perspectiva.

Patricinhas e playboyzinhos de colégio: podem fazer quanto bullying quiserem. Os CDFs é que sabem o segredo do sucesso.

Sacrifícios à parte, para ir bem na prova, basta estudar do jeito certo. E obviamente, nota baixa é conseqüência de método errado.

Tudo pode ser alcançado, todos podem ser persuadidos e todo sonho pode ser realizado, contanto que o método utilizado seja o correto.

E para encontrar o método ideal, é preciso mudar sua perspectiva sobre o mundo. Com o método certo, Thomas Edson criou a lâmpada. Você está mais no controle do que pensa. Basta encontrar o melhor procedimento.

No entanto, nem tudo são flores.

Contrariando tudo o que eu defendia, descobri a duras penas que nem toda realidade pode ser modificada. Sabe aquela ideia de assumir a maternidade do mundo? É aquela ideia de se responsabilizar eternamente por tudo aquilo que cativamos - aliás, um chocolate para quem pegar a referência.

Vou te dizer: seguir esse princípio dói pra caramba. Porque pressupõe que estamos o tempo todo no controle. E vejo o quão apropriado era chamar esse princípio de "maternal".

Eventos indesejáveis acontecem com qualquer um e sob qualquer circunstância.

Se a Terra é apenas um ponto quase invisível na imensidão do Universo, e eu tenho pouco mais de um metro e meio de altura, quem sou eu para pensar que posso assumir a responsabilidade sobre tudo que acontece ao meu redor?

Uma professora de pintura me dizia para, sempre que houvesse um bloqueio criativo, me afastar da parede - era arte, não pichação, eu juro - e olhar para o todo sob, literalmente, outro ponto de vista.

Bloqueio criativo não é nada mais que não saber como seguir adiante.

E se eu ganhasse uma moeda para cada expressão facial que já acrescentei no desenho, cada mistura de cor nova, e citação de poesia na pintura derivada desse método, encheria o enorme porquinho de argila que minha amiga ganhou do namorado de Floripa. Tudo isso dando apenas dez passos de distância do trabalho.

Falando nisso, se alguém souber o significado de dar um porquinho de presente, nos avisem, por gentileza. Minha amiga também está procurando um novo ponto de vista para conseguir entendê-lo.

Porque para mudar a perspectiva, basta dar um passo para trás e avaliar a obra da sua vida sob outro ângulo.

Mudar a perspectiva é encontrar uma maneira, um método novo de encarar o dia a dia.

E um ano de Iniciação à Pesquisa Científica não me deixa mentir: a resposta correta começa sempre na pergunta correta. Porque essa pergunta direciona todo o método que vai solucionar o problema.

A pergunta, afinal, na maioria das vezes não é: o que posso fazer para mudar essa realidade?

A pergunta correta é: como é que eu vou lidar com essa realidade?

E sim, reconheço que essa nova pergunta tem o potencial de transformar realidades.

Mas também admito que a resposta está longe de ser fácil.

Meu melhor amigo diz que, desde que instalou um rádio novo e mudou toda a playlist, pegar a estrada deixou de ser um desperdício de tempo e gasolina. Sim, ele ainda gasta muito tempo e gasolina. Mas descobriu um método de tornar essa obrigação um dos grandes prazeres da vida dele.

Isso pode parecer pequeno comparado a grandes problemas. Mas a matemática que leva a dois mais dois somarem quatro, é a mesma para calcular uma equação diferencial parcial separável, não é mesmo?

Encontre o método que faz você mais feliz. Porque para todo problema, a felicidade está sempre em encontrar uma maneira nova de lidar com ele.

Eu tenho pouco controle sobre a realidade. Mas total influência sobre a maneira com que eu a encaro.

Mude as lentes às quais você está acostumado. Mesmo que sejam as únicas que você já usou. Dê um passo para trás e veja o mundo e a vida sobre uma nova perspectiva. E veja se você consegue encontrar novas cores para transformá-la em uma verdadeira obra de arte.


Seja uma pessoa do avesso você também.

A felicidade é apenas uma questão de perspectiva.

Loucos ou não, artistas são aqueles que transformam uma simples tábua de madeira em uma emoção incomensurável.

Marianna Greca é publicitária e nerd assumida. Social Media, webwriter, tradutora e desenhista compulsiva. Tão louca por Internet quanto pela Ilíada. Acredita que assumir a maternidade do mundo é o melhor caminho para a felicidade.

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