Como enfrentar o medo da violência

como enfrentar o medo da violência

Casos de violência nas cidades infelizmente não são mais novidade para as pessoas. Mas quando ela entra na nossa vida e em lugares jamais imaginados, como as escolas - caso da tragédia na escola de Realengo -, o medo da violência nos afeta e muitas pessoas entram em pânico, com medo de sair às ruas.

De acordo com a psicóloga, Mônica de Lima Azevedo, o medo é uma reação normal, indicativa de que vamos vivenciar algo novo. Quando ele está presente mas não nos impede de agir, serve como um alerta para se ter cuidado e faz com que prestemos mais atenção no que nos rodeia. É uma espécie de autoproteção. No entanto, se ele nos paralisa, impedindo-nos de sair de casa, é necessário buscar ajuda.

Com as crianças é preciso ainda mais responsabilidade. Para zelar pela segurança delas e ao mesmo tempo dar a liberdade de terem um vida saudável, tranquila e feliz, a especialista ressalta que o diálogo aliado ao bom senso são os melhores recursos.

"Todo pai deve orientar os filhos a respeito de algumas "regras" de segurança. Não conversar com estranhos, não aceitar carona e guloseimas de quem não conhecem; falar sobre o perigo do uso de drogas... essas são tarefas que os pais não devem delegar somente à escola. A liberdade de brincar e passear com amigos é importante e deve ser introduzida na vida da criança de forma gradativa, observando-se os cuidados necessários", explica a psicóloga.

Em relação às crianças que sofreram traumas, como os alunos do massacre da escola do Rio de Janeiro, a situação é bem delicada.

"Essas crianças viveram uma situação muito difícil, que provavelmente deixará marcas. A forma de cada um lidar com traumas é muito individual e depende de fatores bio-psico-sociais; mas este é o momento para os pais, juntamente com os professores e psicólogos, ajudarem essas crianças a superar essa tragédia", afirma Mônica.

Segundo ela, os pais devem conversar muito com os filhos, acolher seus medos e explicar que esse episódio não é comum. A escola deve fazer também um trabalho de reinserção desses pais e alunos, promovendo conversas e, sobretudo, facilitando situações que permitam às crianças falarem sobre o ocorrido.


"É importante que a escola mostre aos alunos e pais que está preocupada com a segurança deles e que adotará medidas de controle ao acesso das pessoas de forma geral", conclui.

Por Jessica Moraes

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