Cães "doutores" trazem alegria aos pacientes

Cãoterapia ajuda crianças com Down

Foto Divulgação

Não é de hoje que os animais são grandes aliados dos médicos no processo de recuperação de pacientes. O uso de cavalos nas terapias, por exemplo, data de 400 a.C. E quem tem comprovado que essa parceria é mais que benéfica são as cidades de Campinas, Itu, Sorocaba e Piracicaba, todas no interior de São Paulo.

Nestes locais, existe o projeto Medicão Terapeuta Multidisciplinar. Semanalmente, uma matilha e pessoas voluntárias visitam crianças, adultos e idosos em instituições variadas. Entre elas estão o Hospital Celso Pierro, Centro Infantil Boldrini, Casa Ronald Mc Donald, Centro Educacional Integrado (CEI), Instituto Pró-VisãoNerestes, Lar dos Velhinhos de Campinas, Instituto de Cegos Maria Luiza e ASAC e o Hospital Unimed.

A ação começou há 10 anos e contava apenas com o cinotécnico e adestrador de cães Hélio Rovay Júnior e sua cadela labrador Nina. A dupla atendia a um grupo de seis crianças com Síndrome de Down em Campinas. "Esta tarefa de utilizar cães neste processo se tornou um desafio em minha vida, mas fazer isso sozinho ficou impossível com o tempo. A cada dia atividade era reconhecida e, por isso, resolvi parar tudo e reestruturar e formar o Projeto Medicão", conta o Hélio.

Com o incentivo da esposa, o adestrador ganhou força e amigos foram convidados a participar e formar o grupo de voluntários, composto pelos cães de Rovay e de outras pessoas. Quem também apoiou o grupo foi a Bayer HealthCare. Desde 2009, a empresa oferece auxílio para o custeio de uniformes, combustível e tratamento veterinário necessário ao bem-estar dos animais que integram a equipe.

"Acreditamos nos benefícios do tratamento humanizado. Ao receber a visita desta equipe especial, muitos pacientes demonstram progressos em seus tratamentos, o que é surpreendente", afirma Gilberto Neto, gerente da unidade de Animais de Companhia da Saúde Animal da Bayer HealthCare.

Os cães são minuciosamente selecionados e cuidados, para que possam circular em ambientes que exigem assepsia e boa conduta. São adestrados, para que não tenham uma reação agressiva, recebem uma dieta específica e medicamentos contra parasitas, como pulgas e carrapatos, além de vermífugos.

Os atendimentos do Projeto Medicão são semanais e acontecem durante todo o ano. O tempo de visita fica entre uma hora e meia e duas horas, para evitar o desgaste do animal. "Os cães ajudam tanto na área terapêutica, quanto de socialização do próprio animal e do paciente", explica Hélio. "Na área hospitalar traz alegria, aumento da autoestima, bem-estar emocional, diminuição de medicamentos e ainda ajuda na locomoção, no caso de deficientes físicos e visuais", completa.


Diante de tantos resultados, Hélio tem vários planos para manter o projeto. "Por conta dos recursos financeiros, trabalhamos em um ritmo mais lento. Mas sonhamos em ter uma sede e um carro próprio para o transporte dos cães e da equipe, para atendermos às instituições e receber as pessoas em um local nosso, e aumentar nosso voluntariado de pessoas e cães", conta. "Acredito que estamos fazendo a nossa parte na sociedade e ajudando aqueles que precisam. Sempre dizemos a seguinte frase: ‘Juntos, nós fazemos a diferença!"’

Por Juliana Falcão (MBPress)

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