Beleza inclusiva - fotos para deficientes físicos

Beleza inclusiva  foto para cadeirantes

Caroline Marques para estilista Candida Cirino. Foto: Kica de Castro

Até Kica de Castro abrir sua agência, teve que passar por etapas. Trabalhou por cinco anos em publicidade, mas resolveu correr atrás do que realmente gostava, que era a fotografia. "Fiz cursos e comecei a fazer fotos sociais e corporativas. Em 2000 a fotografia passou a ser meu trabalho profissional", conta Kica.

Em 2002 a fotógrafa passou a ser chefe do setor de fotografia de um centro de reabilitação para pessoas com deficiências físicas. "As fotos eram para os prontuários médicos e tinham quer ser seminu frente, costa e laterais. O paciente tinha que segurar uma placa com o número do prontuário e sempre perguntavam: ‘são fotos de presidiário?’", lembra.

No ano seguinte, Kica iniciou a fototerapia, que visava resgatar a autoestima através das fotos. Os pacientes então passaram a pedir que ela fizesse books para arquivos pessoais. "Vendo o resultado das fotos, começaram os questionamentos sobre a oportunidade para os pacientes em atuar no mercado como modelos. Mas as repostas foram negativas", lamenta.

Kica passou a fazer pesquisas sobre o assunto e descobriu que existe esse mercado para modelos deficientes, só que na Europa. "Na Hungria existe o concurso ‘A Mais Bela Cadeirante’. Na França e Inglaterra são realizados reality shows, ao estilo BBB, com homens e mulheres com diversas deficiências", cita. "Mas o que falta mesmo é inclusão social".

Com esses resultados em mãos Kica apresentou às pessoas que tinham o interesse nessa carreira e foi então surpreendida com uma ideia. "Eles disseram para mim: ‘só você dá essa oportunidade, ninguém enxerga o nosso potencial como você’. Continuei as pesquisas e em 2007, montei a única agência até o momento com casting 100% de profissionais com algum tipo de deficiência", comemora.

A pioneira conta que no começo foi difícil ter apoio das pessoas. "Cheguei a ouvir de pessoas sem e com deficiência que eu estava louca. Mas mesmo com pouco apoio não desisti. Fiz investimentos com meus próprios recursos", conta.

A maior dificuldade que Kika encontrou e ainda encontra nesse trabalho é o preconceito das pessoas. "Esta é a maior deficiência humana. As pessoas não gostam de representar o diferente. Até mesmo os produtos ortopédicos que são utilizados por quem tem deficiência não trazem os modelos. São apenas as fotos dos aparelhos e nada mais."

Para as fotos, Kica utiliza os aparelhos ortopédicos como parte do cenário. "Os acessórios, para algumas pessoas com deficiência, são considerados uma extensão do corpo. Mas mesmo com eles em cena o que fica em primeiro plano é a beleza do modelo. E não existe manipulação gráfica da foto."


E completa: "Existe beleza na diversidade. Mesmo vivendo numa época onde reina o império da magreza, um mercado conhecido como ‘Plus Size’ está em alta no mundo fashion. Beleza não tem padrão, não tem como definir. O primeiro passo é aceitar, porque o que impede uma pessoa de ser um modelo não é a sua deficiência física, mas o medo e o isolamento", afirma Kica. "Hoje vejo que loucas são as pessoas que não deram apoio no início."

Por Flávia França (MBPress)

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