Apaixonado por cães conta como cuida de 23 peludinhos

Apaixonado por cães

Foto: Reprodução Facebook/ Alessandro Desco

Quando se fala em animais de estimação logo vem à nossa mente os cachorros peludões, fortes e saudáveis. Mas não podemos fechar os olhos para aqueles que são abandonados nas ruas e vítimas de maus-tratos. Felizmente esses bichinhos contam com a solidariedade e bondade de muitos apaixonados por cães. Uma deles é o comerciante Alessandro Desco, de 40 anos, morador do Jardim Marajoara, zona sul de São Paulo.

Ele foi o cara responsável pelo resgate da Jade. Lembram-se daquela rottweiler que foi queimada viva por seu dono que estava drogado? Então, foi o Alessandro que salvou a cadela e deu a ela uma nova chance de viver.

"Dava dó de ver a Jade, como ela foi maltratada. Eu a resgatei, levei ao veterinário para salvá-la. Hoje a profissional que a salvou se tornou dona dela. Ela precisará de cuidados especiais até o fim da vida, mas a Jade hoje nem parece aquela cadela que passou por tantos traumas", comenta.

A paixão de Alessandro pelos cães vem desde criança, pois a família dele já gostava de bichos. Mas o resgate de peludos maltratados começou há pelo menos oito anos. "O primeiro foi o Guerreiro, um Pit Bull de mais ou menos sete anos e com apenas 12kg. Ele estava amarrado, tudo machucado, esfaqueado, sem dentes... é difícil de descrever o estado dele", lembra com a voz embargada. "Cuidei dele e hoje ele é meu companheiro, está com 38kg. Ele vive aqui em casa comigo e minha esposa."

O resgate de Guerreiro fortaleceu o amor que Alessandro tinha pelos Pit Bulls. A cadela Rubi, da mesma raça, foi resgatada pelo comerciante depois que o dono tirou um bife das costas dela só para ver se a faca estava amolada. "Também peguei um cachorro que estava sendo enforcado numa árvore. "O Jumbo foi outro, tinha câncer por todo o corpo. Ele não resistiu, mas cuidei dele até o fim."

O gasto mensal de Alessandro com seus 23 cães gira em torno de R$ 7 mil, que sai do bolso dele, da esposa e de quem se sensibiliza com a causa. Atualmente, Alessandro cuida de 23 cães, mas com ele vivem apenas quatro atualmente. O comerciante tem parcerias e deixa alguns dos cães num canil no interior de São Paulo, outros com amigos ou no veterinário para receber os devidos cuidados. Depois de castrados, vacinados e vermifugados, eles ficam no aconchego do lar de Alessandro ou são doados. Mas não pense que o rapaz doa e não olha mais para trás.

"Eu faço questão de levar o cão pessoalmente para ver onde ele vai ficar. Já fui até para Minas Gerais, Rio de Janeiro... Ligo com frequência, vou à casa do doador para ver como o cão está... Se percebo que o animal está sendo maltratado de novo eu pego de volta", declara.

E de que forma os cães mudaram a vida e Alessandro? "Eles me ajudaram a me tornar uma pessoa mais amorosa, confiante, vejo o mundo com outros olhos. Eu não consigo encontrar muitas palavras para descrever o que os cães representam para mim. A gratidão nos olhos do animal depois que ele se vê livre de maus-tratos não tem preço", diz emocionado.


E dá exemplos dessa gratidão. "O Jumbo estava muito doente e ele ficava aceso quando ouvia o barulho do meu carro. Ele se apegou a mim e eu a ele, a resposta desses animais não se explica, é fora do comum. O Guerreiro tinha tudo para odiar o ser humano, por conta de tudo o que ele passou, mas não, ele recebe as pessoas com o maior carinho. Ele não sabe o que fazer para lhe agradar. Esse amor é intenso demais. Acho que os bichos vivem para a gente e não a gente para eles."

O trabalho de Alessandro não tem fim. Por mais cheio que esteja o canil, a clínica veterinária ou sua casa, sempre dá um jeito de abrigar mais um animal vítima de maus tratos. Vale lembrar que o comerciante já resgatou outros animais como um bicho-preguiça e um cavalo. "É revoltante ver tantos maus-tratos. Não é mais decente doar o cão do que deixá-lo morrer aos poucos? Cada cão que morre eu sofro muito. Penso em desistir. Mas quando supero a dor lembro que outros cães precisam de ajuda. Resgatar é fácil, é bonito. Mas tem que cuidar, acompanhar. Eu faço o que posso", finaliza.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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