A síndrome de 31 de dezembro

A síndrome de 31 de dezembro

Os tradicionais votos de Feliz Ano Novo nos levam a encarar o Ano Novo como algo que acontece fora de nós. É um voto de boa sorte desejar que o Ano Novo, de uma maneira quase mágica, nos traga saúde, felicidade, paz e sucesso. Queremos que o Ano Novo nos faça felizes.

A síndrome de 31 de dezembro é o sentimento de angústia que o invade, quando, ao olhar para trás, percebe que o tempo passou inexorável como só o tempo pode ser e que levou com ele para a eternidade, muitos dos sonhos que povoaram sua mente e seu coração no passado.

Você tenta avaliar o que realizou no ano que passou e é obrigado a enxergar a dura realidade: o tempo passou e você mais uma vez desperdiçou as oportunidades que lhe foram dadas para encontrar a sua felicidade. Compromissos e mais compromissos lhe trazem uma carga de responsabilidade que você havia subestimado.

Na contabilidade de suas ações encontra uma série de atividades rotineiras e que expressa uma dimensão quantitativa de sua vida:

-Trabalhou tantos dias.

-Dormiu tantas horas.

-Foi tantas vezes a tal lugar.

-Foi promovido.

-Foi tantas vezes à igreja.

-Poupou tanto...

Mais difícil é verificar:

-Os filhos cresceram e você não teve tempo para acompanhá-los em sua vida. Estava muito ocupado com sua carreira, e agora tudo é mais difícil, pois ele também não tem tempo para você. Orientados por seus sonhos, buscam seus momentos de alegria que se afastam do seus. E você vê neles o você de ontem.

-Carregou aquele relacionamento triste em seu coração. Não ousou melhorá-lo nem se afastou dele. Simplesmente carregou-o como um fardo natural que lhe foi imposto. Afinal, foi você que se envolveu nele. Acha que nada pode fazer, portanto, é melhor suportá-lo de maneira heróica.

-Pareceu egoísmo demais pensar em você. O que os outros iriam pensar se de repente o “pegassem” pensando em sua própria felicidade. Quanto egoísmo, não é?

-Viu companheiros sendo promovidos enquanto amargava a estagnação, pois não teve tempo (ou interesse?) para se desenvolver.

E lá se vão mais sonhos para povoar o fundo do baú. Na hora em que você deitar sua cabeça no travesseiro, eles o cobrarão, bem despertos. Afinal, eles só existem porque você existe. Só existem pra você. As horas que você perdeu ontem não retornarão jamais. São como os raios de sol que bafejam sua face por breves instantes e depois se recolhem por trás dos montes levando com eles a seiva da vida.

Entre o quantitativo e o qualitativo, a pessoa acometida pela Síndrome de 31 de dezembro só se lembra do fazer e não do ser. Leva uma vida como uma incessante repetição de atividades rotineiras impostas pelos seus papéis: pai, mãe, executivo, filho, aluno, professor...

Acorda no mesmo horário todos os dias, veste seu traje padronizado, marca sua presença no local de trabalho como autônomo pré-programado. Sai percorrendo os mesmos roteiros, janta, lê (quando lê), assiste à televisão, dorme e acorda no mesmo horário...

Tudo certinho! À sua volta, as oportunidades afloram e são negligenciadas. Você diz:

“A partir de agora, será diferente”

Vou visitar aquele amigo querido que há tanto tempo não vejo.

Vou me desculpar da grosseria que fiz àquela pessoa.

Vou mostrar a meus filhos quanto os amo.

Vou iniciar um belo regime no dia 2 de janeiro.

Vou parar de fumar tão logo acabe esse último maço.

Vou terminar aquele meu projeto.

Vou...

Planos, planos, planos...

Por que estas resoluções tão positivas não se convertem em mudanças efetivas?

A felicidade não é gerada por um ano, ela é gerada por homens e mulheres. A vida não muda com a virada de uma folha de calendário. A única maneira de mudar a vida é mudarmos.

Por que desiste antes mesmo de ter dado os primeiros passos?

Eu gostaria de sugerir uma nova frase que podemos usar para nos saudarmos na passagem do Ano Novo: Feliz Você Novo!

Por Daniel C. Luz

Autor dos livros Insight1 e Insight2

DVS Editora

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