A “ladra” do tempo

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Permita-me apresentar-lhe uma ladra profissional. Provavelmente você nunca irá distinguir essa pequena e ligeira moça no meio da multidão, mas muitos, ao longo dos anos, se referiram a ela como uma formidável gigante. Rápida como laser e silenciosa como a luz da lua, ela pode invadir facilmente. Uma vez dentro, seus modos agradáveis irão cativar sua atenção. Você irá tratá-la como uma das suas melhores amigas. Mas fique atento. Ela vai limpá-lo sem o mínimo remorso.

Sendo um mestre da esperteza, a bandida irá rearranjar os fatos o suficiente para ganhar a sua simpatia. Quando os outros chamarem sua atenção acerca de seu caráter, você se verá não somente acreditando nela, mas também agindo em sua defesa e apoio. Tarde demais, você conseguirá enxergar através de sua astúcia e dar-lhe crédito como a mais inteligente das ladras. Alguns nem mesmo percebem que foram atacados por ela. Vão para o túmulo de braços dados com o mesmo ladrão que roubou as suas vidas.

Seu nome? Procrastinação. Sua especialidade roubar o tempo e incentivo. Ela vem e troca valores inestimáveis por substitutos fajutos: desculpas, racionalizações, promessas vazias, embaraço e culpa. Como a maioria dos marginais, essa profissional o atinge quando você está desprevenido - no momento quando relaxa as defesas. Você acorda num sábado de manhã. Foi uma semana horrível. As insistentes vozes das tarefas ainda não terminadas ecoam em sua cabeça lutando por sua atenção.

Subitamente sua co-artista aparece e começa a barganhar com você. Ao pôr-do-sol ela foi embora... e também o seu dia... e sua esperança.

Você pisa na balança do banheiro e não acredita. O marcador está mostrando a verdade - mas a ladra oferece outra interpretação. Roubando a sua motivação, ela sussurra a palavra mágica - amanhã - e você vai procurar um doce para celebrar sua filosofia: “Nunca faça hoje o que você pode fazer amanhã”.

Você se depara com uma decisão crucial essa tarde. Ela tem sido construída por duas semanas. Você a ignorou, se esquivou, adiou - mas não há mais como fugir. Hoje é o dia “D”. Você se comprometeu. Trinta minutos antes do prazo, essa ladra lhe oferece um álibi perfeito e atrás dessa defesa a sua decisão escorrega para outro dia.

Nenhuma despesa é mais bem paga. Nenhum mentiroso é mais respeitado. Nenhum ladrão é mais recompensado. Nenhum gigante é mais bem tratado.

Você sabe que é - ela sempre ganha, mesmo você estando ciente que é uma grande fora-da-lei. Ela pode convencer qualquer estudante a esquecer a lição de casa, um executivo a desfazer acordos. Ela pode convencer qualquer dona de casa a negligenciar as louças e qualquer pai a não disciplinar seus filhos. Ela pode impedir qualquer vendedor de efetuar uma venda. Ela tem uma estratégia e concentra todos os seus esforços em um único objetivo: destruir seu sucesso.

“Como eu posso vencê-la?”, você pergunta. Qual é o segredo - a fórmula - para escapar da intimidadora rede dessa ladra? Como impedir que o gigante invada e entre?

É realmente simples... tão simples que você não acredita. Tudo gira em torno de uma palavra, talvez a palavra mais fácil de ser usada em nosso idioma. Quando utilizada apropriadamente, ela carrega mais peso que uma tonelada de boas intenções. A ladra não consegue suportar o som dela. Essa palavra faz com que a procrastinação recue, totalmente frustrada. Se você usá-la constantemente, pode até ficar cansado de ouvi-la - e deixá-la em paz.

Curioso? Vou fazer um acordo com você. Eu lhe digo a palavra se prometer usá-la na próxima vez que for tentado a ouvir essa falsa conselheira. Entretanto, há um porém. Talvez seja fácil dizê-la - mas vai requerer toda a disciplina que tem para realmente vive-la. Implementá-la vai exigir, na verdade muita coragem. A palavra é “Agora”.

Daniel C. Luz

Autor dos livros Insight I e Insight II

DVS Editora

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