Pedalar + meninas = pedalinas

Pedalar  meninas  pedalinas

Pedalar, assim como nadar, é um dos esportes mais completos. Em grandes cidades, o trânsito pode tanto impedir a prática como estimular. Afinal, ninguém precisa ficar horas parado num congestionamento. Basta deixar a preguiça de lado e começar a pedalar.

Um grupo de mulheres de São Paulo decidiu trocar o conforto do carro pelo vento nos cabelos. Deixou o automóvel de lado e apostou na bicicleta como meio de transporte. Em busca de saúde, diversão e bem-estar, elas formam as Pedalinas. O grupo foi criado para possibilitar a troca de experiência entre as ciclistas, colocando em pauta discussões sobre bicicletas, equipamentos, noções de mecânica, viagens, rotas e até comportamento.

O início da jornada foi bem simples, quase uma brincadeira do destino. "A criação do grupo foi o resultado de conversas entre garotas que se conheceram na Bicicletada [movimento sem líder que prega o uso das bikes ao invés dos carros], e sentiram a necessidade de um ambiente de articulação feminina, onde pudessem ser postas questões referentes ao uso da bicicleta pelas mulheres", conta Aline Cavalcante, uma dessas Pedalinas.

Hoje, todo primeiro sábado do mês, um grupo de mulheres (de todas as idades) se encontra em São Paulo exatamente às 14h na famosa Praça do Ciclista (esquina da Rua da Consolação com a Avenida Paulista). De lá, o grupo segue ‘bicicletando’ cidade afora e, no ponto final, fazem uma paradinha para descanso, com direito a muita conversa, troca de experiências, novidades no mundo das bicicletas e, às vezes, até comidinhas.

"O percurso varia, sendo combinado na lista de e-mails ou decidido no encontro, mas não percorremos grandes distâncias e sempre mantemos um ritmo tranquilo, para que cada vez mais novas ciclistas possam se agregar ao grupo", conta Talita Noguthi, outra integrante do grupo. Para participar das aventuras sob os pedais, basta ter uma bicicleta. "O grupo é aberto para a entrada de todas as mulheres", completa Laura Sobenes também das Pedalinas.

Se você gostaria de participar, mas está com receio de sair por aí pedalando sozinha até o ponto de encontro, ou mesmo por estranhar um encontro com participantes desconhecidas, não se preocupe. As meninas do Pedalinas são tão organizadas que a primeira precaução que tiveram foi criar uma lista de e-mails (https://lists.aktivix.org/mailman/listinfo/pedalinas) para que todas pudessem se comunicar de forma simples e de fácil acesso para todas.

"Nos organizamos para tentar resolver problemas que possam surgir entre as iniciantes no grupo, tais como o desconhecimento de rotas mais seguras até o ponto de encontro, dúvidas sobre a integração da bicicleta com outros modos de transporte ou insegurança para sair pedalando sozinha pela primeira vez", afirma Aline. "Tentamos sempre discutir e encaminhar essas questões da melhor forma possível, para que cada vez mais mulheres possam ir ao passeio", completa Drielle Alarcon.

Gostou e quer conhecer um pouco sobre o Pedalinas e descobrir mais sobre o próximo passeio? Você pode acessar o blog das meninas (www.pedalinas.wordpress.com). Elas têm também página no Orkut (Pedalinas), se você preferir.

Lembre-se somente que, para se tornar uma Pedalina, não pode faltar o mais importante, consciência. "A bicicleta é um meio de transporte. Afirmar isso é compreender que todas têm o direito de compartilhar as ruas com os demais veículos, bem como desfrutar das vantagens, como benefícios de uma atividade física, praticidade, economia de tempo e dinheiro, e prazer de uma nova percepção do espaço urbano, com um olhar menos enclausurado e sempre convidado ao novo", afirma Talita.

E nem vale pensar que uma ciclista é frágil ou limitada por ser mulher. "Sabemos que ainda há algumas percepções sociais e situações que diferem quando consideramos a adoção da bicicleta pelos dois gêneros. Alguns insistem em ver as ciclistas como pessoas que precisariam de uma proteção masculina, que seriam incapazes de pedalar sozinhas no trânsito. Infelizmente esse tipo de preconceito ainda existe, e é compartilhado por muitos homens e mulheres", diz Aline.


O que ela e as Pedalinas defendem é um uso das ruas que respeite as diferenças de gênero, sem o estabelecimento de relações de inferioridade ou dependência. "Almejamos que cada vez mais mulheres compreendam que são capazes de pedalar sozinhas no trânsito, bem como de conhecer o funcionamento de sua bicicleta, realizar reparos mecânicos e escolher os equipamentos mais adequados".

Por Tissiane Vicentin (MBPress)

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