Para-atleta é campeã em medalhas e na vida

Paraatleta é campeã em medalhas e na vida

Foto/ Arquivo pessoal da para-atleta Ádria Santos

Nas últimas edições dos Jogos Paraolímpicos e dos Parapan-Americanos, a performance dos para-atletas brasileiros superou o desempenho dos esportistas sem deficiência. Campeão dos Jogos Parapan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro, o País está entre os favoritos para a edição deste ano, em Novembro, em Guadalajara, no México. A consolidação do Brasil como uma potência paraesportiva é positiva, mesmo com o baixo investimento das empresas em atletas paraolímpicos. Porém, os para-atletas têm resultados de alta performance.

O presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), Andrew Parsons, afirma que o bom desempenho é resultado de um intenso trabalho de planejamento técnico, que determina com rigor a utilização do orçamento do comitê, estimado em R$ 42 milhões para 2011, menos da metade do orçamento de potências paraolímpicas como Estados Unidos e Canadá. Deste saldo, um percentual de 10% é utilizado para detectar novos talentos.

A para-atleta Ádria Santos é a mulher que mais conquistou medalhas: 4 de ouro, 8 de prata e 1 de bronze, conquistadas de 1988 a 2008. Para ela o para-atletismo conquista melhores resultados em medalhas pois tem várias classes (diferentes deficiências). "Isso possibilita ao Brasil trazer mais medalhas que o convencional," comentou a para-atleta.

A para-atleta começou no atletismo aos 13 anos, em Belo Horizonte, através de uma associação de deficientes visuais chamada Adevibel. Ela nasceu com deficiência visual, enxergou 10% até os 18 anos depois perdeu completamente a visão devido à retinose pigmentar, astigmatismo e ceratocone. "Quando perdi minha visão aos 18 anos, os primeiros anos não foram fáceis, mas não deixei que me afetasse no esporte e na vida pessoal. Procurei fazer tudo o que fazia com um pouco de visão e fui superando aos poucos, tomei um mês de anti-depressivos e decidi não tomar mais, dei a volta por cima,"contou Ádria.

A atleta treina de segunda a sábado. "Hoje por ter 24 anos de carreira tenho que mudar um pouco meus treinos, atualmente treino segunda, quarta e sexta, pela manhã. Faço academia e a tarde pista. Terça e quinta feira faço RPG e pilates. E no sábado treino na pista," afirmou.

Ádria concilia sua vida de treinos, maternidade e trabalho. Ela ainda faz aulas de tricô e crochê, e também curso inglês. Atualmente é funcionaria da empresa Tupy onde tem a função de agente motivacional, e recebe a bolsa atleta do Ministério do Esporte. "Minha filha tem 21 anos, mas quando era pequena, algumas vezes levava ela junto comigo para as competições, quando não podia levar deixava aos cuidados de minha família. Era difícil viajar e não poder levá-la, tinha que pensar na competição e em casa, tive que abrir mão de muitas coisas como aniversários para competir," lembrou. Mas a família de Ádria tem muito orgulho de seu desempenho e dedicação. "Desde o começo de minha carreira me apóiam e ficam felizes com meus resultados," contou.


Na pista, lesões musculares prejudicam os treinos e o resultado das competições, e na vida a maior dificuldade que teve foi a perda da visão e adaptação a nova condição. "Faço as atividades de casa normalmente, coisa que gostaria muito de fazer, mas é impossível, é dirigir e escolher as cores dos meus esmaltes e batons, e quanto a acessibilidade da cidade onde moro, Joinville, não são boas, poucos lugares são adaptados e de fácil acesso, não temos sinal sonoro, poucos lugares com piso tátil, muitas placas em lugares indevidos e baixas, muitas calçadas danificadas, falta de cardápio em braile," ressaltou a campeã, que continua enfrentando diariamente diversos desafios.

Por Catharina Apolinário

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