Mulheres na Canoa Havaiana

Mulheres na Canoa Havaiana exercício em contato co

Foto/Arquivo pessoal de Maria Paula Alves

As canoas havaianas eram utilizadas para transporte na Polinésia e têm relação estreita com o surf. Mas hoje são usadas em competições, e as mulheres estão aderindo cada vez mais a essa atividade e se destacando no cenário nacional. A canoísta Maria Paula Alves conta sobre sua experiência com a canoagem, mais especificamente com a canoa havaiana.

Maria Paula rema há 9 anos. Começou em Santos, com o canoísta Fabio Paiva, no Clube Regatas Santista. A equipe feminina da qual Maria Paula faz parte, Kimi Lokini, está em sua melhor fase, é a primeira colocada do ranking. Formada por 6 mulheres, de 17 a 47 anos, todas no mesmo nível físico, foram segundas colocadas em 2009 no Campeonato Sul-americano no Rio de Janeiro e primeiras em 2010, no Paulista e Brasileiro. Em 2011 ganharam uma etapa no Rio de Janeiro e todas as que participaram do Paulista e Brasileiro.

"É uma emoção muito grande ganhar uma prova. Você precisa de resistência e concentração, pois uma equipe de 6, dentro de uma canoa é 1. Precisamos bater no mesmo ritmo, os remos devem entrar e sair da água juntos, na sincronia perfeita. Uma dá "apoio" moral para outra durante a prova, que às vezes é de 20 km, ou 2 horas de prova. Isso nos une como irmãs", explicou atleta.

Moradora de São Paul,o ela mudou sua vida e deu início a prática do esporte. "Apesar de nadar sempre tive medo do mar. Remar era um sonho que sempre tive, mas eu morava em São Paulo e a vida era outra. Mas dei uma virada nela, e, ao voltar de uma "mega trip" pela Indonésia, tomei essa atitude, entre outras", afirmou. Ela compete com canoa individual e em grupo. "Há a categoria open e a master (acima dos 40 anos). São provas de OC1, OC2 e OC6 , ou seja, canoas de 1, 2 e 6 remadores. As premiações são apenas em medalhas e troféus. Ainda não ha premiação em dinheiro", explicou.

A atleta foi campeã brasileira e paulista na categoria open, individual, em 2006, e em equipe no paulista. "De lá pra cá tenho alguns títulos ao longo desses anos em equipe. Em 2010 fui campeã, paulista e brasileira, no individual e em dupla, e no sul americano em equipe, agora estou na categoria master", comentou.

Maria Paula fala ainda dos desafios que aceitou durante sua trajetória na canoagem. "Participei de alguns desafios, como a Volta da Ilha de Santo Amaro, 77km de OC1. Fui campeã, mas não havia mais nenhuma competidora concorrendo em minha categoria nessa prova dura de 2 dias de remada", contou a atleta.

Mulheres na Canoa Havaiana

Foto/Arquivo pessoal de Maria Paula Alves

Para praticar canoa havaiana a canoísta dá algumas dicas. "Primeiro precisa ter muita vontade de ir para o mar, mesmo que tenha medo. É um esporte seguro. Só é limitado a quem tem excesso exagerado de peso, e não cabe na canoa. É uma modalidade muito fácil de aprender e prazerosa de praticar, um esporte em grupo (canoa OC6), tranquilo e muito social. Um contato ímpar com a natureza. Quem vai não quer mais parar", ressaltou.

A atleta lembra ainda que existem escolinhas de canoagem que contam com o apoio de treinadores e profissionais orientados. "Na escolinha existe o instrutor que orienta os iniciantes e geralmente pede atestado de saúde. No geral não há limite algum para quem quer praticar o esporte, pois pode ser uma remada leve, sem exigir muito esforço do praticante. No nível profissional já é bem diferente, exige muita resistência. Há sempre um técnico, profissional de educação física ou remador experiente, avaliando o atleta", detalhou.

Os músculos mais movimentados durante a remada de canoa são os superiores: costas, ombros e braços. As pernas são usadas como apoio na canoa para seis pessoas (OC6), e são menos usadas nas outras de uma ou duas pessoas. O treino para competição percorre no mínimo 10 km de remada. E ainda é necessário um treino fora da água para não machucar as articulações, que segundo Maria Paula, ainda assim sofrem com machucados.

A atleta conta sobre os benefícios da atividade para o corpo e a mente. "Começando pelo emocional. É um esporte que enche os olhos e o coração de muita emoção. O contato com o "marzão" , principalmente para quem inicia, traz inúmeros benefícios. Isso sem contar com o corpo que muda mesmo", explicou.

Para concluir, a atleta fala sobre a dificuldade de patrocínio para os atletas. "Assim como em todos os esportes, em nosso país, temos muita dificuldade em participar dos campeonatos mundiais por falta de patrocínio, pois as viagens são muito caras e como infelizmente é um esporte pouco divulgado não há interesse por parte dos empresários. No entanto, conquistamos alguns benefícios com o Governo, que concedeu a bolsa atleta aos atletas ranqueados", concluiu Maria Paula que avisa que a próxima etapa do Sul-americano será em novembro na Ilha de Páscoa (Ilha Polinésia Oriental, há 3.700 km da costa do Chile).

Canoa Havaiana

As canoas havaianas são utilizadas há mais de 3 mil anos pelos povos da Polinésia. Elas têm total ligação histórica com o surf. As canoas foram usadas como meio de transporte na sendo responsáveis pela colonização das ilhas do Pacífico, principalmente o Havaí, mas a prática da canoagem hoje é esportiva, trazendo benefícios físicos e psicológicos.

O material de fabricação e as técnicas de construção das canoas havaianas mudaram. A fibra de vidro substituiu a madeira, em função à proteção ao meio ambiente, ganhando cores variadas. As canoas podem medir 14 metros, ter apenas 50 cm de largura e um estabilizador lateral, chamado de ama, fixado por dois suportes, os yakos.


Nessa atividade esportiva o fundamental é a sincronização das remadas. A embarcação conta com seis remadores, cada um com uma função específica. O nº 1 ou voga, aquele que fica na frente, por exemplo, dá o ritmo do barco. Já o nº 6, ou leme, aquele que fica na outra extremidade, é o responsável pela direção do barco. Durante as remadas o grito Hip Ho comanda a troca de remadas, a cada 20 ou 25 remadas.

Por Catharina Apolinário

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