Zoe Melo - da alta costura para o ativismo ambiental

Zoe Melo  da alta costura para o ativismo ambienta

Foto Steven Simko

Ela viveu em grandes metrópoles, freqüentou festas badaladas e esteve em projetos vanguardistas da alta costura nas décadas de 80 e 90. Depois de brilhar nas passarelas internacionais em Nova Iorque, São Paulo e Lisboa, a ex-modelo brasileira Zoe Melo partiu para o mundo do eco-design.

Tudo começou logo na carreira de modelo. Zoe era bastante requisitada por designers e pessoas ligadas não só à moda, mas também ao mundo das artes. "O meu biotipo, magro e esguio, servia de inspiração para muita gente, como designers, e acabei conhecendo pessoas que me apresentaram para o design industrial e de interiores", conta.

Depois de percorrer grandes cidades, ela não estava mais interessada em algo tão "efêmero como a moda". Foi então que resolveu levantar a sua rede de contatos profissionais e sair de Nova Iorque para trabalhar em showroons de Los Angeles. "Mas só depois de treinar muito e preparar o meu olhar". E acabou fazendo o trabalho de curadora com designers de várias partes do globo, entre eles, Moroso, Molteni, Ycami, Anta e Danskina.

Desde o início da nova carreira, a ex-modelo logo optou por um diferencial: trabalhar com mobiliário e objetos de decoração que tenham pegada ecológica, feitos de matéria-prima sustentável. Com o amadurecimento no mercado, ela e o amigo Peter Scherrer resolveram fundar a Touch, que deverá abrir uma filial no Brasil. Durante a sua estada no Brasil, que incluiu a participação no evento TED (Technology, Entertainment, Design), edição Amazônia, que reúne profissionais de todo mundo com boas idéias para contar, ela também falou um pouco do seu trabalho para o Vila Equilíbrio.

Como aconteceu esse despertar para o trabalho com o eco-design?

Queria encontrar um novo significado para o meu trabalho e já me sentia estagnada onde estava, tinha atingido o que eu queria como modelo. Então comecei a me interessar pelo mundo das artes, buscar designers e arquitetos, como o Manuel Reis, e outros profissionais talentosos para desenvolver melhor o meu sentido estético. Observei trabalhos manuais, principalmente de tribos, e passei a buscar algo que fosse exatamente o contrário daquela cultura urbana em que tinha vivido por muito tempo.

Neste trabalho de curadoria, o que você leva em consideração quando escolhe uma peça, escultura ou qualquer objeto de decoração?

Antes de montar a Touch, passei a produzir exposições com peças únicas por conta da minha empresa, a CZ Works, em parceria com o arquitecto Charles Swanson. Fui representante da marca Artecnica no Brasil, também responsável pelo desenvolvimento de produtos de designers como Tord Boontje, Hella Jongerious, Irmãos Campana, entre outros profissionais. Tudo isso, além da participação em indústrias e feiras, fez com que eu me aprimorasse e conhecesse muita gente. Agora na Touch, minha preocupação é encontrar alguém que seja ao mesmo tempo talentoso e humano. Tenho que pensar no trabalho desse designer a longo prazo, como esse profissional vai se desenvolver e como vou lançá-lo no mercado. Também observo o tipo de materiais que usa, as técnicas, e a função dos objetos que cria.

Você também trabalha como consultora em empresas que estejam interessadas em desenvolver políticas sustentáveis ou práticas de eco-design. Como é feito esse trabalho? O mercado fashion também está presente?

Neste último ano, muitas empresas da área de moda têm me procurado. São organizações interessadas em criar uma metodologia sustentável, não só apenas no processo de fabricação de seus produtos, mas também com o objetivo de trabalhar em conjunto com ONG´s, artesãos ou cooperativas. Vou trabalhar como consultora também no Brasil, através da Touch, por isso vim para cá.


No momento estou com uma empresa brasileira de bolsas, que é nova no mercado, tem apenas cinco meses. Sem dúvida pretendo ampliar o meu trabalho por aqui.

Por Juliana Lopes

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