Você paga mais caro por produtos verdes?

Produtos Verdes

Consumir implica responsabilidade. A linha que separa o equilíbrio da destruição ambiental ficou fininha demais e, agora, a responsabilidade chegou às casas e carrinhos de supermercado. Nem só as grandes empresas precisam assumir atitudes responsáveis. A regra é, de acordo com a saúde financeira de cada lar, consumir verde.

Para ajudar, o Centro de Estudos em Sustentabilidade, da Fundação Getúlio Vargas, acaba de lançar o Catálogo Sustentável. Trata-se de uma ferramenta eletrônica que reúne produtos dos mais diversos tipos e que adotam algum critério de sustentabilidade - ou seja, fazem menos mal ao meio-ambiente.

“O grande benefício é permitir buscar em um extenso banco de dados produtos que representam menor impacto socioambiental em relação a opções convencionais. Dessa maneira, o usuário tem um instrumento efetivo para colocar o consumo responsável em prática”, explica Ricardo Barretto, da FVG.

Segundo ele, ao optar por um consumo responsável, as pessoas escolhem produtos cujo impacto sobre o meio ambiente é menor. Isso significa que eles provavelmente usam matéria-prima reciclada ou materiais certificados, se empenham pela redução e gerenciamento dos resíduos, reduzem as embalagens, economizam energia e emitem menos de gases do efeito estufa. “O consumo responsável também pode significar respeito a aspectos sociais da produção, como valorização do artesanato, cuidados adicionais com a saúde e bem-estar dos funcionários, estímulo à produção comunitária”, completa.

Mas aí, quando você chega ao supermercado e procura esse tipo de produtos, se depara com um preço mais caro do que pretendia pagar. O preço é maior, sim, mas a verdade é que, na continha do custo X benefício, eles são muito mais baratos. “Os produtos convencionais é que deixam de levar em conta custos que fazem parte da produção ou fazem uso de insumos que causam impactos negativos ao meio ambiente e aos seres humanos, com o objetivo de ampliar a escala produtiva”, explica Ricardo.

Os alimentos convencionais até podem parecer mais baratos num primeiro momento, porque são produzidos em maior escala e assim podem ser vendidos a um preço menor. “Mas nesse preço não está embutido o custo de contaminação do solo e da água dos rios que fica imprópria para o consumo e exige dinheiro público para a despoluição ou para a captação de água de regiões mais distantes. Também não está embutido no preço o custo que o consumidor terá que arcar em caso de aparecimento de doenças por conta do acúmulo de substâncias tóxicas no organismo”, sentencia.

Além disso, os produtos convencionais parecem mais baratos por que não trazem no preço o custo de gerenciamento do lixo, de criação de aterros sanitários e de despoluição do meio ambiente que o poder público acaba assumindo e que é pago com os impostos dos cidadãos.

Seja qual for o caso, o consumo responsável é uma forma de as pessoas contribuírem para um planeta mais sustentável e também sinalizarem a governos e empresas que estão preocupadas com o impacto que a sociedade causa sobre o meio ambiente.

Dicas:

A primeira dica de Ricardo Barretto, da FGV, é simples: reduzir o consumo. “O planeta vive hoje uma crise global pelo excesso de uso dos recursos naturais, da produção de resíduos, da poluição dos ambientes. Ao consumir menos, as pessoas diminuem seu impacto sobre o meio ambiente - a chamada pegada ecológica”.

Outra dica, segundo ele, é optar por produtos diferenciados:

- com menos embalagens (e com materiais fácil decomposição)

- com menor uso de elementos químicos e tóxicos

- com menor uso de energia, produzidos em lugares próximos de onde são vendidos (que diminui as emissões de gases poluentes pelo transporte)

- com a opção de refil (assim novas embalagens não precisam ser compradas e depois jogadas fora)

“E consultar o Catálogo Sustentável, claro, para encontrar opções de produtos menos impactantes ao meio ambiente. No site (www.catalogosustentavel.com.br) você encontra ainda mais dicas.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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