Videogame - pra criança e marmanjo!

Videogame  pra criança e marmajo

Parece que jogos e vídeogame estão se afastando cada vez mais dos temas inocentes da época em que foram criados. Diferente dos antigos games "PacMan" e "Tetris", por exemplo, os novos estão bem mais sofisticados e reais. Por isso, o público vem se diversificando e, hoje, muitos jovens e adultos não trocam o videogame por nada e até se classificam como viciados.

Brincadeiras à parte, algumas pessoas realmente se viciam, no sentido literal. Para certas crianças, adolescentes, jovens e adultos, o jogo passou de diversão a empecilho para seus mais variados compromissos e até para a convivência familiar. Pelo menos foi isso o que constatou o terapeuta britânico Steve Pope.

Ele, aliás, polemizou no jornal inglês "The Evening Post" que, jogar videogame por mais de duas horas por dia provoca o mesmo efeito que cheirar cocaína. Pope comparou o comportamento de um usuário de drogas ao de um "viciado" em jogos, dizendo que ambos matam aulas, pulam refeições e podem até roubar para conseguir seu objeto de desejo - cocaína ou mais jogos.

Para Pope, o vício em videogame é o que mais cresce na Inglaterra - o terapeuta atende toda semana pelo menos duas crianças que jogam demais. Ele usou como exemplo um adolescente de 14 anos que jogou por 24 horas seguidas e chegou a apresentar sinais de desidratação.

Para a terapeuta familiar Roberta Palermo, "a comparação do vício do videogame ao vício da cocaína choca, principalmente, porque o videogame é, a princípio, um brinquedo inofensivo trazido para casa pelos pais". Então, no caso de crianças e adolescentes, os próprios pais devem assumir a responsabilidade de controlar o tempo e o tipo de jogos a que os filhos têm acesso. "Os pais devem oferecer segurança para os filhos, e deixá-los diante de um jogo inadequado para sua idade pode estimular o medo a ansiedade", diz a terapeuta.

Como a base da educação vem de dentro de casa, o papel dos adultos é potencializar efeitos benéficos dos games. Existem, por exemplo, os que são lúdicos e trabalham o raciocínio, concentração e coordenação dos pequenos. "Os pais não devem fugir do videogame e sim adequá-lo a sua realidade de vida e educar a criança", conclui Roberta.

Público mais velho!

Mais recentemente, porém, o público que curte jogar vem mudando um pouco de perfil. Agora, vários "marmanjos" que já deixaram a adolescência também passam horas e horas na frente do computador, videogame, com o celular em mãos... sempre jogando.

De acordo com Jorgelina Peciña, gerente de comunicação e marketing para América Latina da produtora de jogos Gameloft, "o perfil dos jogadores são jovens, de 15 a 35 anos e homens. Nos EUA, por exemplo, as garotas fazem mais downloads de jogos do que os homens".

A razão para que os adultos também se interessem por jogos tem a ver com novas tecnologias. "O processo de evolução dos jogos está relacionado, principalmente, com a aparição de novos handsets, que cada vez mais têm capacidades de memória e outras tecnologias, como sensores de movimento, ou seja, essas tecnologias não são coisas de criança", observa Jorgelina. Outro motivo pode ser o fato de que os novos adultos pertencem a gerações que tiveram contato com games desde cedo. Portanto, essas pessoas simplesmente continuaram jogando como forma de lazer ao longo dos anos.

No entanto, quando a diversão se torna vício, é prejudicial até mesmo para os adultos. "O jogo deixa de ser saudável quando se torna a única fonte de lazer, é constante e não tem hora para acabar. Se pudermos comparar o momento do videogame ao dia do futebol ou de jogo de baralho com os amigos, a hora da novela ou seriado na TV, por exemplo, será saudável. Se compromissos são cancelados constantemente, ou até deixam de existir, há um problema", afirma Roberta Palermo.

O vício em videogames, além de prejudicar a vida social e profissional, também pode fazer um estrago no psicológico do indivíduo. Isso porque o brinquedo pode ser tornar uma forma de fuga da realidade, como aponta a terapeuta. "Uma pessoa que não se destaca no trabalho, na vida real, pode ser um exímio jogador e alcançar grandes resultados nos jogos".

Enquanto as crianças necessitam de orientação dos pais para que os jogos não virem um problema e nem sejam a única atividade divertida do dia, os adultos devem eles mesmos ter discernimento para não se prejudicarem. Para tanto, basta comparar as horas de jogo com qualquer outra distração. Dessa forma, "os jogos se tornam um momento de distração, até relaxamento depois de um dia cansativo de trabalho ou estudos", diz Roberta.


Assim, aquela velha máxima ainda vale para qualquer atividade, seja de lazer ou não: tudo faz mal quando em excesso. Seu filho gosta de videogames? Cuide para que ele use-os com moderação.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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