Vagões só para mulheres: você concorda?

Vagões só para mulheres você concorda

Foto: Marnie Burkhart/Corbis

Com o intuito de minimizar os casos de assédio sexual dentro dos transportes públicos de São Paulo, o deputado Geraldo Vinholi (PDT) criou um projeto de lei que prevê vagões exclusivos para mulheres nos trens e metrôs e espaços específicos dentro dos ônibus. A medida foi aprovada pela Comissão de Transportes. Se aprovada também pelos deputados, caberá ao governador Geraldo Alckmin sancionar a proposta.

Aqui no Brasil ações como essa já são adotadas no Rio de Janeiro. Desde 2006, em horários pré-estabelecidos, alguns vagões de trens e metrôs são destinados somente ao público feminino. E você, mulher, que usa o transporte público em São Paulo, acha que iniciativas como essas são a solução para minimizar os assédios?

A artista plástica Thaisa Zanardi Canova, de 24 anos, usa frequentemente ônibus e metrô e concorda com a medida. Apesar de ser algo complexo, a segmentação pode levar à reflexão. "Criamos um distanciamento das pessoas com o problema em questão, mas todos passarão a se perguntar o motivo de tal divisão e refletir sobre problemas tipicamente femininos", pensa.

Ao mesmo tempo, Thaísa acredita que só restringir espaços não resolve. "Esse é um problema de raízes históricas. É essencial que se promovam debates com os homens, mas sem exaltar a figura da mulher ou vitimá-la. O que definimos como abusos muitos homens enxergam como direitos, instinto ou como algo natural. Portanto, é necessário estabelecer relações de respeito que vão além do transporte público."

A secretária bilíngue Ana Carolina Eugênio, de 30 anos, também é usuária do transporte público paulistano e acha que os vagões exclusivos podem ser uma boa saída. "Só acho difícil fiscalizarem. A população não será ‘educada’ de um dia para outro. Infelizmente tem muito ‘espertinho’ por aí que se aproveita da situação para abusar de mulheres que ficam totalmente acuadas."

Ana lembra que já existem certos benefícios conquistados por uma parcela de usuários do metrô que não são respeitados. Portanto, pensa que o quesito educação pode atrapalhar na hora de colocar a medida dos vagões em prática. "Temos como exemplo os assentos preferenciais. Perdi as contas de quantas vezes já vi pessoas fingirem dormir enquanto um senhor, uma mulher grávida ou com criança de colo estava em pé! O que esperar de gente assim?", critica.

Já a assessora de imprensa Patrícia Larsen, de 34 anos, pega metrô e ônibus diariamente e diz que a possível restrição lhe causa um pouco de susto. "Somos humanos civilizados e deveríamos saber conviver, principalmente no transporte público. Acredito que ao invés de separar é preciso exigir mais segurança."


Para a jornalista, restringir o espaço da mulher dentro dos transportes públicos só contribui para potencializar o problema social. "Imagine no futuro uma mulher que optasse por pegar o vagão "normal"? Tenho certeza que muitas ‘piadas’ a respeito dela surgiriam... O melhor caminho é sempre o da educação e conscientização". E completa: "Acho que o uso de câmeras ajudaria, mas, aliado a isso, é preciso que a população denuncie mais e faça valer seus direitos."

Por Juliana Falcão (MBPress)

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