TEDxAmazônia - Produzir e Conviver Melhor

TEDxAmazônia  Produzir e Conviver Melhor

Foto: Michelle Manera

Na semana passada contei aqui um pouco do que vi no TEDxAmazônia. Hoje continuo compartilhando com vocês a minha experiência.

Para quem ouviu falar que o TEDx é apenas um grupo de pessoas que ouve palestras curtas, está muito enganado. Já ouvi diversas palestras de horas que não elucidavam o que no TEDx se consegue em 15 minutos. Prática, idéias, exemplos, pudemos ter esse contato no bloco "Produzir melhor", com dois alunos de Rubens Gomes, um luthier de Manaus, tocando com instrumentos fabricados de espécies amazônicas.

Paul Bennett, diretor criativo britânico, nos ensinou a ver o óbvio, quanta beleza natural temos e não deixar ser inspirado por isso é quase insano! Hugo Penteado, apesar de economista, nos contou que o planeta e as pessoas são mais importantes que a economia, mesmo a própria economia na maioria das vezes admita isso. Paulo Arruda afirmou sobre a importância do DNA que guarda segredos de vários questões discutidas no nosso tempo, enquanto Zach Lieberman mostrou o software que programou para funcionar movido pelos olhos. Zé Claudio Ribeiro da Silva alertou o perigo que atravessa por ser um protetor das árvores e tirar delas o que elas podem oferecer continuando vivas, como as frutas, o cipó. Madeira, só das árvores que morrem por si só!

Cabe aqui uma grande reflexão de quantos que poderiam colaborar com pequenas coisas e sempre do que uma única vez na vida mesmo que grandiosamente. Encantados desde o início com a simplicidade e a magnitude do cenário, conhecemos Marko Brajovic, seu idealizador. E para alcançar o objetivo de reflexão desse bloco, Michael Braungart criticou o destino do lixo da humanidade. Não só o lixo que pode ser reciclado, mas do lixo que nós produzimos naturalmente. Uma lição de que nem sempre o que é altamente convencional socialmente é correto e sustentável.

No último bloco do primeiro dia: Conviver melhor, conhecemos Demos Helsinki, um coletivo de pensadores da Finlândia que lançou a Política da Felicidade, ressaltando a importância do tempo livre, de lugares de atividades significativas, da cooperação, da saúde e do nosso estilo de vida no que se refere a alimentação e do conceito de família. Pequenos tópicos que parecem rotineiros e se perdem no cotidiano das pessoas sem levar em conta sua real importância.

O educador Silvio Marchini, ressaltou como estudos reconhecem os problemas da perda de habitat, espécies invasoras, extração excessiva, poluição e crescimento populacional, sem se dar conta o quanto devemos nos ater ao comportamento humano, verdadeiro causador desses problemas. Envolvidos em ouvir boas idéias, o documentarista Vincent Carelli, utilizou o índio para retratar seus iguais, e dessa forma ser realmente mostrado o seu pensamento, sua cultura e o que ele gostaria que se perpetuasse e fosse conhecido de todos. Tivemos a oportunidade de assistir um trecho do projeto, na língua nativa dos índios com legendas onde um curumim narrava uma fuga sua dos homens brancos.

Já bem conscientes da mudança causada em nossas vidas e turbinando formas de como espalhar essa experiência, o jovem sonhador João Felipe Scarpellini, veio em nome da juventude, dizer que assim como ele muitos jovens podem fazer muitas coisas, e não devem ser tratados com "café com leite". Como educadora, me orgulho em ouvir de um educador, o Bernardo Toro, o alerta: "Conservar não é mais opção..."

O conceito de cadeia alimentar aprendido desde os primeiros anos de escola, mas rapidamente esquecido por muitos predadores humanos, é exemplificado por Larissa Oliveira, que na luta para salvar uma espécie de lobo-marinho, recém descoberta e já em risco de extinção, teve que elaborar todo um processo de proteção ao alimento da espécie, a anchoveta, peixe mal utilizado e muito desperdiçado na costa do Peru. Belíssimo exemplo do quanto a maioria das pessoas, no seu egoísmo pessoal não consegue medir as consequências dos seus atos para as demais espécies.

Luciana Villa Nova apresentou o já conhecido trabalho que a Natura realiza com as comunidades na aquisição das matérias-primas para seus produtos e Felipe Milanez exalando perplexidade, luta por uma tribo já extinta, os Kawahibas, cheio de esperança em reverter o que parece perdido. A socióloga Leinad Carbogim, mostra seu relevante trabalho com comunidades no Ceará para preservar seus costumes e gerar condições sustentáveis de seus integrantes crescerem e continuarem em suas cidades mantendo suas raízes e orgulho. Já bem cansados, Lucas Santtana, nos apresentou seu trabalho voz e violão, onde apenas com esses recursos ele consegue gerar uma banda com som de outros instrumentos,como por exemplo ao batucar na madeira do violão.


Servido o jantar, a conversa era intensa, mas sabíamos que no dia seguinte teríamos outra jornada iniciando logo cedo. Nem todos dormiriam no hotel na selva e nos barcos atracados, O músico Lucas Santtana era o DJ da festa que rolaria, mas boa parte da platéia deveria fazer a travessia de barco até Manaus para descansar. Resolvi partir na primeira voadeira rumo as Manaus, pois precisava dormir para absorver tantas idéias e acordar com espaço para tantas outras. Nosso barco atolou num banco de areia quase na margem do lado de Manaus, gerando um dos problemas de logística que o TEDxAmazônia talvez não contasse em resolver. Ligações celulares, twitters, mensagens de texto, toda tecnologias utilizada foi acionada, mas o interessante foi o bom humor e companheirismo que tornou mesmo a intempérie mais um motivo de assuntos, conversas e relacionamentos entre os tedxters.

Semana que vem conto o restante da aventura!

Michelle Maneira é pedagoga, com pós-graduação em psicopedagogia e especialização em tecnologias educacionais, professora de educação infantil da rede pública.

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