Suicídio: cuidados ao aconselhar pessoas em crise

Neste mês as pessoas estão abrindo seus perfis para receber desabafos. Mas será que é seguro ajudar sem conhecimento profissional?
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Setembro amarelo é o mês de prevenção ao suicídio

Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio, que tem como intuito alertar a população sobre a realidade do suicídio e as formas de prevenção. O fato é que é muito comum que por conta deste mês de reflexão, muitas pessoas abram seus perfis de redes sociais para ouvir desabafos e ajudar quem precisa dando conselhos.

Mas será que esta prática é segura para quem está passando por problemas? A psicóloga do Centro Terapêutico Multidisciplinar de São Vicente, Tereza Christina Gonçalves diz que o que é feito para ajudar pode até atrapalhar. "O ideal é ter uma rede de suporte emocional profissional juntamente com amigos que possam acompanhar. A ajuda nas redes sociais não é suficiente e pode até ser perigosa", explica.

Ainda de acordo com ela, as causas podem ter início em várias patologias como depressão, esquizofrenia, questões sociais e até mesmo conflitos familiares. "Geralmente a pessoa dá indícios muito claros de que algo não vai bem. Tudo acontece por meias palavras, dizendo que não quer mais viver, que gostaria de fechar os olhos para sempre e que é um inútil para a sociedade", diz.

Segundo a ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), todos os anos são registrados cerca de dez mil suicídios no Brasil, e mais de um milhão em todo o mundo. A ABP afirma ainda que 17% das pessoas no Brasil pensaram, em algum momento, em tirar a própria vida. Estima-se que até 2020 poderá ocorrer um aumento de 50% na ocorrência anual de suicídios em todo o mundo, ultrapassando o número de mortes decorrentes de homicídio e guerra combinados. Conforme a ABP, há diversas maneiras de prever e impedir o ato suicida. Os dois principais sinais de alerta são: 

  • Tentativa prévia de suicídio:
  • É o fator preditivo isolado mais importante. Pacientes que tentaram suicídio previamente têm de cinco a seis vezes mais chances de tentar suicídio novamente. Estima-se que 50% daqueles que se suicidaram já haviam tentado previamente. 

  • Doença mental:

  • Sabemos que quase todos os suicidas tinham uma doença mental, muitas vezes, não diagnosticada ou não tratada de forma adequada. Os transtornos psiquiátricos mais comuns incluem depressão; transtorno bipolar; alcoolismo e abuso/dependência de outras drogas; alguns transtornos de personalidade e esquizofrenia. Pacientes com múltiplas comorbidades psiquiátricas têm um risco aumentado, ou seja, quanto mais diagnósticos, maior o risco. Outros fatores de risco também devem ser considerados, como explicamos previamente. Entre eles também está o sentimento de desesperança, desamparo e desespero; doenças clínicas graves, como câncer, HIV ou doenças degenerativas; maus tratos na infância, como abuso físico e sexual; dentre outros.

    Lugares para buscar ajuda

    Vale lembrar que os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), os Hospitais de Urgência e Emergência (geral e/ou psiquiátrico), os Serviços Especializados e outros são de fundamental importância para as pessoas que estão em situação de crise. Portanto, ao menor sinal de alterações no comportamento compatíveis às características citadas acima, é imprescindível buscar ajuda médica, de preferência, o mais rápido possível.

    Por Thamirys Teixeira

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