Quem sofre mais opressão?

Caminhando, outro dia, por um parque paulistano, passei por duas moças islâmicas, ambas cobertas, dos pés à cabeça, com suas abayas. A sensação que aquela visão provoca em nossos corações ocidentais, inundados de “liberdade”, é quase sempre relacionada a sentimentos de pena, compaixão ou até revolta com a condição daquelas mulheres, tão oprimidas.

Mas, parece que, como tudo, isto também é relativo. Uma declaração de Zeinab Abotalib, primeira mulher a formar-se em Medicina na Arábia Saudita, com residência, mestrado e doutorado na Inglaterra, diz o seguinte, sobre a situação das mulheres naquele país:

“O fato de as mulheres sauditas não desejarem integração com os homens em público, não as torna submissas, menos femininas ou infelizes.” Ela acha que as ocidentais são mais merecedoras de pena. “Elas, sim, enfrentam uma repressão implacável: são escravas do individualismo, da competição no trabalho, da ditadura da beleza e de um absurdo culto à eterna juventude. Acho muito difícil uma pessoa sentir-se feliz de verdade submetida a tantas pressões.”

Difícil dizer se esta declaração representa a opinião da maioria das mulheres sauditas. Aliás, nunca saberemos, pois elas não podem emitir suas opiniões. Mas não deixa de ser curioso ouvir, da boca de uma mulher que vive em uma das sociedades mais repressoras do mundo, um chamado sobre um outro tipo de opressão, este que acontece bem aqui, em nosso quintalzinho sem cercas.

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Uma a Uma é uma empresa de inteligência de mercado especializada no público feminino. As sócias e colunistas do Vila Mulher, Denise Gallo e Renata Petrovic, ajudam a entender melhor e desvendar as várias faces da mulher contemporânea.Contato: umaauma@umaauma.com.br

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