Quando eles ficam doentes

Quando eles ficam doentes

Logo na adolescência, as mulheres aprender a lidar com as cólicas da menstruação, os exames ginecológicos e as reações dos hormônios durante a TPM. Mais tarde vem a gravidez e todas suas implicações, principalmente o parto, uma verdadeira prova de resistência e amor, é claro.

Elas estão mais acostumadas a lidar com a dor. Eles adiam quando podem as consultas e exames, muitos até nem chegam a entrar na sala de cirurgia para acompanhar o nascimento do filho. "Eu pedi para ele ficar no parto da minha primeira filha, a Gabi, mas não estava se sentindo bem. Foi fumar um cigarro e comentou que não iria agüentar, bastava assistir ao Discovery Home and Health. Também não queria dar trabalho aos enfermeiros", brinca a coordenadora administrativa Daniela Soares Liberato Oizumi.

O mesmo aconteceu durante o nascimento da segunda filha. "Acabei respeitando a decisão dele. Inclusive outro dia, quando fomos levar a Carol para fazer o exame de sangue, ele acabou saindo da sala depois de segurar o bracinho dela e ver a agulha procurando a veia". Daniela ainda revela que foram "oito meses de desculpas" para realizar a vasectomia.

Com Rodrigo Costa não é diferente. Ele mesmo confessa que coloca sempre em segundo plano os exames, principalmente quando envolve agulhas ou injeções. "Minha reação física é suar frio feito louco, me dá uma sensação de pânico. Não sei explicar. Não gosto de pensar em objetos perfurando minha pele", diz. No momento da agulhada, o jeito é fechar os olhos e não se importar muito, pensar em outras coisas.

"Quando preciso fazer exames de sangue vou sempre no mesmo lugar e com a mesma enfermeira, de certa maneira me deixa mais seguro", comenta. E na hora de ver os ferimentos com sangue, a sensação é ainda pior. O administrador de empresas chegou a ficar tonto de ver o corte feito no próprio pé.

Médicos e os próprios órgãos de saúde já se deram conta que eles fogem de agulhas, tanto assim que logo no início da campanha de vacinação contra a gripe suína o próprio Ministério da Saúde reconheceu a importância delas darem um empurrãozinho e levá-los aos postos de saúde. A medida foi feita em razão de outras experiências, no caso em 2008. Durante a campanha contra a rubéola, enquanto 95,3% das mulheres até 29 anos foram vacinadas, entre eles a incidência na faixa etária ficou em 89,8%.

Mas será que realmente eles sentem mais dores enquanto estão doentes ou recebem uma injeção? "Por enquanto nenhuma pesquisa comprovou isso. Geralmente quando eles buscam o médico é porque a doença já está evoluída, e, talvez por isso sintam mais", explica Geraldo Carvalhaes, diretor da Clínica de Dor em Belo Horizonte.

Por conta da síndrome de super-herói (nada acontece comigo, por isso não preciso de médico), muitos deles acabam se prejudicando. Por estarem em menor número nos consultórios, são maioria nas estatísticas de morte por câncer, infarto, entre outras doenças.

"Já as mulheres são mais cuidadosas, ou seja, fazem seus exames com mais freqüência. Eles deixam sempre para depois o exame de próstata, tão importante", acrescenta o especialista que cita a lombalgia, rupturas de ligamentos e problemas no nervo ciático como responsáveis pelas maiores queixas de dores entre os homens.


Nada ainda comprovado se eles sentem mais dores do que nós, entretanto, que eles reclamam mais isso toda mulher já sabe. E uma pesquisa atesta isso. Segundo um estudo realizado pela empresa britânica Engage Mutual, homens se queixam e exageram mais do que elas para ganhar a simpatia quando estão doentes. Enquanto elas ficam doentes com mais freqüência, quando é a vez deles os mesmos fazem de tudo para que as mulheres saibam disso. E claro, com os nossos cuidados, eles acabam sarando rapidinho.

Por Juliana Lopes

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